O Espírito Santo vem traçando sua rota para a mobilidade verde, ao adotar estratégias que combinam descarbonização da frota pública, crédito direcionado e diferencial fiscal no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Diante do contexto nacional, onde se vê a chegada de veículos eletrificados (elétricos e híbridos), inclusive por portos capixabas, e a instalação de fábricas para a produção localizada (tanto de automóveis quanto de veículos pesados, como ônibus e caminhões), o Estado tem se posicionado de forma pragmática.
O diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, destaca o protagonismo do Estado na busca pela sustentabilidade.
O governo, em parceria com o setor produtivo, tem empenhado esforços para atrair montadoras de veículos híbridos e elétricos. Já há grupos de olho no Espírito Santo pela expertise capixaba de importação e pela estrutura logística para entrada e saída desses veículos.
Ele ainda lista a estabilidade política do Estado e aspectos econômicos, como o crescimento acima da média nacional, o que pode aumentar a atratividade para futuros investidores. Lira destaca o investimento de R$ 4 bilhões da ArcelorMittal Tubarão para o desenvolvimento do laminador de tiras a frio, que fabricará produtos a partir das bobinas a quente, para abastecer o mercado automotivo, de eletrodomésticos e construção civil.
No Estado, a Marcopolo investiu R$ 50 milhões na linha Attivi, com foco na produção de ônibus 100% elétricos, inclusive os chassis. A planta de São Mateus agora está apta a fabricar veículos movidos a diesel, gás e também eletricidade. A empresa também estuda modelos que usam outras fontes de energia. 7
Durante a COP 30, em novembro de 2025, no Pará, a companhia apresentou o protótipo de ônibus urbano que usa etanol e energia elétrica, que segue o mesmo princípio do micro-ônibus divulgado em 2024. Há também estudos para o desenvolvimento de modelos com propulsão a hidrogênio, metanol e outros biocombustíveis, além do álcool.
A VixPar, braço de logística e transporte do Grupo Águia Branca, vai destinar R$ 10 milhões para projetos com tecnologia e inovação. Entre os investimentos está o desenvolvimento de veículos elétricos. A companhia lançou, em 2020, o primeiro ônibus 100% elétrico do país para transporte de passageiros em longas distâncias. Atualmente estão em teste outros veículos elétricos, como pá-carregadeira e caminhão.
Para o superintendente do Sesi-ES e diretor regional do Senai-ES ES, Geferson Santos, o grande diferencial é a capacidade diferenciada de articulação entre governo e setor produtivo, além de uma infraestrutura tecnológica robusta de instituições de ensino e o ambiente de inovação criado pela Mobility Confap Italy (MCI, programa de cooperação internacional entre o Brasil e a Itália).
A transição para a eletromobilidade é vista como uma oportunidade estratégica alinhada às tendências globais de sustentabilidade e inovação, crucial para manter a competitividade da indústria capixaba.
Em 2024, a unidade do Senai de Vitória inaugurou o 1º Centro de Excelência em Mobilidade do Espírito Santo e o primeiro Centro de Energias Renováveis do Estado, na unidade do Civit, na Serra.
Ainda na cadeia automotiva, Santos lembra que tanto a unidade de ensino quanto a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) participam de comitês técnicos setoriais envolvendo sindicatos, fabricantes de veículos (Fiat, Yamaha, GWM) e de motores, como a WEG.
“Além disso, por meio do Instituto Senai de Tecnologia em Eficiência Operacional, as indústrias automotivas podem ter acesso ao programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) do governo federal, que promove ações para aumentar a produtividade e a inovação na cadeia do setor. O instituto também oferece consultorias em eficiência energética e de diagnóstico de carbono”, enumera.