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Artigo de Opinião

Antônio Carlos de Medeiros

É hora da Vale ir para o divã e se reinventar

A empresa tem que pensar fora da caixa. Aparatos estatais de regulação e fiscalização também precisam ser revistos

Publicado em 08 de Fevereiro de 2019 às 18:48

Publicado em 

08 fev 2019 às 18:48
Vista panorâmica das Instalações da Vale no Complexo de Tubarão
Antônio Carlos de Medeiros*
A atividade de mineração vai precisar se reinventar no Brasil. A Vale também precisa de reinvenção. Nos escombros do drama humano e da violência ambiental, a Vale tem que rever o seu modelo empresarial de negócio e sua governança corporativa. E o aparato estatal de regulação e fiscalização da atividade de mineração no Brasil também precisa ser modernizado - nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Cinquenta anos depois, a Vale está sendo levada a superar a postura imperial e o formato atrasado de lidar com a operação de mineração e com o meio ambiente e a sociedade. Isto inclui mais do que mudar o formato dos reservatórios de resíduos. Inclui a revisão das práticas de mineração; a busca de novas formas de governança; a recomposição acionária para pulverizar o controle da empresa; a adoção do conceito de “licença social” tácita da sociedade nas áreas onde atua; e a transição do foco empresarial: do reinado dos acionistas e executivos para o capitalismo de propósitos e responsabilidade social. O “contrato social” da Vale está vencido.
A mineração é uma atividade importante para o desenvolvimento. Isto é fato. Mas a reinvenção da Vale tornou-se imperativa. Revisar o modelo tecnológico, a cultura empresarial e o conceito de resultados. Poderosa, ela adotou e praticou modelo de negócio do capitalismo do Século XX. Mas o modelo do Século XXI é outro.
As empresas precisam oferecer não apenas desempenho financeiro, mas contribuições positivas para a sociedade, beneficiando clientes e comunidades, além dos acionistas. Hoje, os investidores – inclusive os “millennials” – aplicam seu dinheiro em fundos que invistam responsavelmente. É o chamado capitalismo de propósitos. O lucro com propósito social mais amplo. Esta é a tendência na avaliação do valor das empresas nas bolsas de valores.
Já na reunião de Davos deste ano, na catedral do capitalismo, os temas das desigualdades e das mudanças climáticas foram para os debates. Agora, o acrônimo adotado nas empresas mudou para ESG (sigla em inglês de ambiental, social e governança). É a tendência.
Que inclui a adoção do conceito de licença social para operar, formulado há tempos na Inglaterra: conquistar e manter o apoio tácito das pessoas e comunidades que vivem e trabalham próximas ou na área de influência de um determinado projeto. Ter legitimidade e credibilidade para operar. No Brasil, as empresas ainda não perceberam a importância da licença social. Mas algumas delas (na área de saneamento) já aplicam o conceito.
É hora da Vale ir para o divã. Pensar fora da caixa. Os aparatos estatais de regulação e fiscalização também precisam ser revistos. Como afirmou José Casado, “a lama é política e corporativa”. Há que se responsabilizar também acionistas e executivos. A tragédia não pode cair outra vez no esquecimento.
*O autor é pós-doutor em ciência política pela The London School of Economics and Political Science
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