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Fernando Carreiro

Artigo de Opinião

É jornalista e consultor especializado em imagem, reputação e estratégia política
Fernando Carreiro

A internet não vencerá mais esta eleição. A mensagem correta, sim

Campanha eleitoral não é ciência exata. Embora muitos que habitam esse ambiente político deem como favas contadas certos cenários, tudo pode mudar num piscar de humor da Dona Opinião Pública
Fernando Carreiro
É jornalista e consultor especializado em imagem, reputação e estratégia política

Publicado em 14 de Setembro de 2022 às 17:48

Publicado em 

14 set 2022 às 17:48
O meio é a mensagem. O filósofo canadense Marshall McLuhan, estudioso da comunicação, cunhou essa expressão para reflexionar sobre a evolução das culturas, que seriam dilatadas sob a forma das novas tecnologias. Passou-se a acreditar piamente que esses novos canais seriam a própria mensagem, mas são, em toda sua singularidade, apenas o meio.
Não foi a internet a responsável pela vitória de Jair Bolsonaro em 2018, como avaliam alguns especialistas simplistas. A televisão também não garantiu a reeleição de Dilma Rousseff em 2014. A “carta aos brasileiros”, de Lula, em 2002, não foi, ela só, a garantidora de seu primeiro mandato presidencial após cinco tentativas frustradas em anos anteriores.
A vitória de todos esses, e de todos os outros candidatos a qualquer cargo público eletivo em qualquer nação, se deu única e exclusivamente pela ‘mensagem correta’ dirigida ao público-alvo.

CAMPANHAS PRESIDENCIAIS

Lula resgatou a esperança dos brasileiros na promessa de uma agenda econômica forte. Dilma usou a conhecida estratégia do medo para minar a campanha de Marina Silva (quem não se lembra do comercial que fazia sumir pratos de comida da mesa do trabalhador?). Bolsonaro levou para as redes sociais a pauta dos costumes, no forte discurso contra a corrupção para um país castigado por esse mal, e, assim, personificou o antipetismo.
Nem carta, nem TV, nem internet. A mensagem correta venceu todas essas eleições.
Há uma senhora do destino, muito perspicaz e volúvel, mas muito vitoriosa, chamada de dona Opinião Pública. Ela muda constantemente de humor, mas é a rainha dos processos eleitorais. A opinião se move nas sombras, diz o título da obra de Carlos Matheus. Ela nasce, cresce e se apaga em função de fatores externos e internos que atuam sobre a vida dos indivíduos, em suas relações recíprocas.
A agenda econômica sempre deu o tom das eleições presidenciais. Basta rememorar o que deu a vitória ao então ex-ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, em 1994: o controle da inflação pelo recém-criado Plano Real. Uma reviravolta, já que no primeiro semestre daquele ano Lula liderava todas as pesquisas. Em 98, FHC foi reeleito com o discurso da continuidade dos projetos na área de desenvolvimento econômico.
Em 2002, foi a vez do apelo econômico de Lula, que se reelegeu pelos projetos socioeconômicos que deram à classe média elevado poder de compra. Fez sua sucessora, Dilma, com o mesmo discurso. E o combate à corrupção como plataforma de campanha de Bolsonaro restabeleceu a esperança do brasileiro de ter uma economia mais forte.

CAMPANHA ELEITORAL NÃO É CIÊNCIA EXATA

O foco é mais ou menos sempre o mesmo. Mas a linguagem, não: essa precisa ser adaptada ao sabor de Sua Majestade, a Opinião Pública, que ora quer o bife ao ponto, ora mais bem passado. A propósito, a fome da vez é por bife, qual seja, já que o que se tem encontrado são apenas ossos e carnes de pescoço. Nos supermercados e na política.
Campanha eleitoral não é ciência exata. Embora muitos que habitam esse ambiente político deem como favas contadas certos cenários, tudo pode mudar num piscar de humor da Dona Opinião, que vive à espreita e tem falhado cada vez mais nas dosagens de seus florais.
Estamos no processo eleitoral. Sobram certezas demais para dúvidas em excesso. E uma única certeza: vencerão aqueles que conseguirem acompanhar as tendências da opinião pública. Saber por quais caminhos ela transita é fácil: estão em frente aos smartphones, às tevês, ao lado dos emissores de ondas de rádio, nas calçadas esperando um tapinha nas costas. Falar o que ela deseja ouvir continua sendo o grande desafio de quem é candidato.
Permita-me discordar de McLuhan: o meio nem sempre é a própria mensagem. Não na política.
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