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Helvio Souza Alves Junior

Artigo de Opinião

É policial rodoviário federal, pós-graduado em Direito pela Fundação Getúlio Vargas, subsecretário de Segurança Urbana de Vitória
Helvio Souza Alves Junior

Acidentes de trânsito: um começo de ano difícil para quem atua na segurança viária

A Guarda Civil Municipal de Vitória tem ampliado a fiscalização de trânsito. Somente nesses três primeiros meses do ano já duplicamos os nossos esforços operacionais com abordagens e orientações educativas
Helvio Souza Alves Junior
É policial rodoviário federal, pós-graduado em Direito pela Fundação Getúlio Vargas, subsecretário de Segurança Urbana de Vitória

Publicado em 29 de Março de 2023 às 13:33

Publicado em 

29 mar 2023 às 13:33
Estamos ainda no primeiro trimestre do ano e as estatísticas de acidentes de trânsito são alarmantes para o capixaba. Somente em janeiro deste ano houve um aumento de mais de 50% no número de mortes nas estradas e rodovias do nosso Estado, somando todas as vias, estaduais e federais. Dados extraídos do Observatório de Segurança Pública do Espírito Santo mostram uma realidade assustadora, mesmo com todo o esforço público, em cooperação com setores da iniciativa privada, na busca por um trânsito menos violento.
Diariamente as notícias sobre acidentes automobilísticos ocupam grande parte dos jornais e programas de TVs. A gravidade das ocorrências chama a atenção pela destruição dos veículos e pelo número de vítimas. Quase sempre com feridos graves e mortos. São toneladas de ferros retorcidos causando múltiplas lesões quando não, com morte instantânea propagando imagens assustadoras, lembrando até mesmo um cenário de guerra urbana.
Os traumas deixados para as famílias das vítimas são enormes. Desde problemas psicológicos difíceis de serem superados por quem passa por uma situação de estresse violento e traumático como ocorre em um acidente automobilístico, como também as dificuldades de ordem financeira advindas dos custos de recuperação médica e hospitalar que certamente vão onerar o orçamento familiar por vários meses. Isso tudo sem falar nos casos de morte que, na maioria das ocorrências, são óbitos de pessoa responsável pelo provimento da família.
Acidente deixa um homem ferido na Reta da Penha, em Vitória
Acidente deixa um homem ferido na Reta da Penha, em Vitória Crédito: Fernando Madeira
A faixa etária das vítimas mortas está entre os 35 e 44 anos, sendo majoritariamente o público masculino o mais atingido, considerando, obviamente, que a maioria dos condutores brasileiros é composto por homens. Esses dados são alarmantes, principalmente por atingir pessoas em idade produtiva e que na maioria das vezes, como dito anteriormente, provedores das famílias enlutadas. Adultos jovens morrendo e deixando consequências irreparáveis para seus familiares e para a sociedade como um todo.
Não menos alarmante, os motociclistas figuram entre as maiores vítimas. Comparado com janeiro do ano passado, houve um aumento de 57% no número de óbitos de motociclistas somente neste primeiro mês do ano em curso. É certo que a condução de motocicleta por si só é mais arriscada do que a de um veículo de quatro rodas, mas os números são muito preocupantes assim mesmo. Aqui na cidade de Vitória, onde acompanho mais de perto as estatísticas de ocorrências, é possível constatar pelo menos um acidente envolvendo motocicletas todo os dias, de domingo a domingo.
O condutor de motocicleta está a todo tempo exposto aos riscos de queda e consequentemente a sofrer maiores danos quando não raramente evoluem para óbito ainda antes do socorro médico de emergência. É fato também que os motociclistas estão na categoria dos mais imprudentes. Poucas horas no trânsito e presenciamos manobras arriscadas colocando a própria vida em perigo.
A Guarda Civil Municipal de Vitória tem ampliado a fiscalização de trânsito. Somente nesses três primeiros meses do ano já duplicamos os nossos esforços operacionais com abordagens e orientações educativas. Semanalmente, são realizadas operações de segurança viária com o intuito de buscar maior conscientização dos motoristas e pedestres.
As ações educativas também fazem parte da rotina da corporação. Uma equipe competente cuida dos projetos sociais responsável em levar de forma lúdica e criativa, educação e alegria para a comunidade nas praças, parques e escolas da cidade, tendo por objetivo a transformação da realidade atual para um trânsito mais humano e seguro para todos.
Infelizmente ainda é exagerado o desrespeito as normas e regras de trânsito nas ruas e avenidas da cidade. Eu diria que é um problema comum das grandes cidades. Inúmeras vezes presenciamos condutores, pedestres e também ciclistas em ações imprudentes causando embaraços que, não raramente, provocam acidentes. Felizmente a maioria desses acidentes contabilizam somente danos materiais, porém os dados estatísticos não são nada animadores.
Comportamentos simples, como por exemplo, reduzir a velocidade ao passar por um cruzamento, próximo à escolas, nas ruas internas dos bairros, não abusar do uso do telefone celular enquanto dirige, indicar com antecedência uma mudança de direção, entre outras ações, são hábitos simples que irão colaborar para um trânsito melhor, mais seguro. Estou convencido que somente com a mudança de comportamento é que conseguiremos modificar essa triste realidade. E não é por falta de fiscalização nem tão pouco de campanhas educativas. São inúmeras ações de fiscalização e convencimento realizadas todas as semanas.
O que precisamos vai um pouco além. Precisamos nos comprometer efetivamente para contribuirmos com um trânsito mais seguro e menos violento. Precisamos realmente nos incomodar com os números. Os números são muito preocupantes. É preciso se colocar no lugar das vítimas. Nos colocar no lugar das famílias enlutadas. Ter empatia. Mudar o nosso comportamento sobretudo na condução de um veículo automotor. Essa é uma realidade que podemos modificar. Acredite.
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