É possível identificar quando estamos vivendo um momento histórico? Algumas datas históricas, como o início da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, certamente foram devidamente percebidas no momento em que ocorreram, mas, ainda assim, sem que houvesse uma percepção prévia de sua existência.
Tampouco as pessoas que as vivenciaram puderam, naquele momento, ter a real percepção de todas as consequências futuras. Tais datas jamais se constituem de eventos isolados, pois as inflexões na história são sempre formadas por uma cadeia de eventos prévios e posteriores ao acontecimento mais marcante.
O passado nos mostra que muitas dessas datas marcantes estiveram atreladas à redefinição do conceito de Estado até então vigente, como as revoluções democráticas ocorridas na França e Estados Unidos, entre os séculos XVIII e XIX, por exemplo. Tais eventos demonstram que o caminho para a liberdade e prosperidade passa pela redução do Estado.
As principais civilizações do passado tiveram sua derrocada em função de más gestões ou excesso de intervenção de seus governantes. Atualmente, apesar da dificuldade de identificar um momento histórico, podemos estar diante de um, capaz de gerar uma nova redefinição do conceito de Estado.
No presente, no início da terceira década do século XXI, há alguns fatores que, somados, compõem uma cadeia de eventos que poderão levar à redefinição do conceito de Estado no futuro. Vivemos em uma era de grande descentralização do poder, com marcos relevantes que podem agir como catalisadores da mudança, promovendo mais liberdade para as pessoas.
A internet, por exemplo, deu à sociedade uma independência nunca antes vista, democratizando o acesso a uma infinidade de informações, gerando preocupação ao Estado, como no recente caso envolvendo Telegram e TSE. Além disso, a conectividade permitiu o surgimento de criptomoedas, representando uma ameaça à exclusividade do Estado no papel de emissor e controlador de moedas correntes.
No contexto brasileiro, vemos uma evolução na sociedade, com aumentos significativos na quantidade de investidores em renda variável e de empreendedores. Tal movimento serve para demonstrar que a população tem buscado alternativas na iniciativa privada para geração de riqueza, reduzindo, assim, o papel do Estado como um ente assistencialista.
Também vivenciamos eventos recentes que podem provocar mudanças profundas na sociedade. A pandemia da Covid-19 e a recente guerra na Ucrânia, por exemplo, são momentos que podem moldar fortemente o futuro do Estado, ainda que não seja possível identificar esses efeitos agora.
Todavia, todos os fatores citados, apesar de promoverem um horizonte otimista, podem provocar um efeito contrário. Não faltam exemplos que demonstrem que governantes tendem a reagir de maneira contrária à redução do Estado, seja por meio de supressão da liberdade de expressão em redes sociais, seja, ainda, pela tentativa de taxação e regulamentação de criptoativos.
Estamos diante de uma bifurcação na trajetória de nossa sociedade rumo ao futuro. De um lado, uma opção de Estado enxuto, eficiente e libertário; do outro, um Estado grande, opressor e reativo a mudanças. Segundo Ayn Rand, “quem luta pelo futuro, já o vive no presente”. Logo, é o indivíduo, dono de sua própria liberdade, e somente ele, que poderá escolher qual caminho trilhar. Portanto, é preciso agir, para que façamos, do nosso presente, um momento histórico para o futuro.