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Angela Gomes

Artigo de Opinião

Futuro

Arquitetura das cidades: incertezas e oportunidades no pós-pandemia

Pessoas buscarão novos meios de morar, trabalhar e passear mesmo após a vacina contra a Covid-19. É necessário investir em soluções sensíveis a questões contemporâneas, como a quantidade de imóveis vazios em Vitória, por exemplo
Angela Gomes

Publicado em 10 de Agosto de 2020 às 14:00

Publicado em 

10 ago 2020 às 14:00
Data: 03/04/2020 - ES - Vit—ria - Pandemia coronav’rus - Movimento na praa dos Namorados - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini
Data: 03/04/2020 - ES - Vit—ria - Pandemia coronav’rus - Movimento na praa dos Namorados - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini Crédito: Vitor Jubini
As situações críticas e as maravilhas tecnológicas coexistem. Temos fome no mundo, pessoas sem moradia, saneamento precário e conversamos sobre smart cities, indústria 4.0, conectividade, big data, internet das coisas e inteligência artificial. São discussões necessárias, uma vez que 55% da população mundial vive em áreas urbanas e esse percentual deve aumentar para 70% até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
O Relatório 2020 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aponta que a pandemia da Covid-19 tornou-se rapidamente a pior crise humana e econômica de nosso tempo. No entanto, são os pobres e os mais vulneráveis os atingidos de forma mais dura.
Um dos papéis do arquiteto urbanista nesse contexto é justamente se indagar sobre o que pode ser feito para aprimorar as condições de vida nas cidades, considerando as tecnologias disponíveis, os novos materiais e as potentes ferramentas para planejamento e representação de projetos, cada vez mais imersivas e realistas. Outro ponto de questionamento passa pelo esvaziamento dos espaços públicos por medo e insegurança da população e pelo o que pode ser colocado em prática para retomar a ideia de cidade cosmopolita, possibilitando a conexão entre pessoas e o uso do espaço para diferentes funções.
Ao mesmo tempo, a escala e a intensidade das desigualdades urbanas, ainda mais expostas agora, representam um grande desafio. Nesse sentido, os 17 ODSs servem como ponto de partida trazendo temas como a redução das desigualdades, o consumo e a produção responsáveis, a demanda por água potável, o saneamento e a educação de qualidade.
No âmbito da casa, há consenso sobre a necessidade de áreas mais amplas, considerando parâmetros de iluminação e de ventilação naturais, espaço para trabalhar e varandas (abertas). Essas tendências são opostas, por exemplo, aos microespaços ofertados pelo mercado imobiliário, que fazem sentido quando há uma vivência urbana que possa ser desfrutada na íntegra ou grande quantidade de suítes em detrimento de áreas mais amplas de salas.
No que se refere às empresas, levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) aponta que quase 90% delas realizaram alterações em seus padrões de operação durante a pandemia e que mais de 50% pretendem manter as mudanças, relacionadas a aceleração dos processos de automatização, do comércio eletrônico e do trabalho remoto. Tudo isso impacta nas cidades e acredita-se que as pessoas buscarão novos meios de morar, de trabalhar e de passear mesmo após a vacina contra a Covid-19.
A pandemia nos mostrou que flexibilidade e adaptabilidade são condições para a sobrevivência. É necessário investir nas ações já existentes no Estado na área de inovação e potencializar ações bottom up de diálogo, de colaboração e cocriação de novas soluções. Importante ainda que esse ambiente de inovação seja sensível a questões contemporâneas como empreendedorismo em escalas diversas, valorização das micro e pequenas empresas, e que esteja atento a aspectos estruturais e debates recentes sobre as relações étnico-raciais, inclusão, igualdade de gênero, feminismo, envelhecimento da população e a grande quantidade de imóveis vazios no centro de Vitória, por exemplo.
Estamos numa fase de exceção, vivendo a pandemia. Podemos experimentar, aprender com os erros, aprimorar as ideias e transformá-las em ações concretas. É um processo com foco nas mudanças e que começa, literalmente, dentro de casa.
* A autora é arquiteta urbanista
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