Gutman Uchôa de Mendonça*
Não existe nada mais difícil do que administrar o chamado patrimônio público. Tivemos aqui, no Estado, em época não muito remota, governantes excelentes, como o senhor Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, que tinha extrema segurança em dizer que “não podia atender ao que o amigo está solicitando”. E não se falava mais sobre o assunto, até pela sua impossibilidade de atender certos pedidos. A estrutura moral e a capacidade administrativa desse notável capixaba deveria ser cultuada como exemplo a ser seguido. Viveu para o Estado.
Assistimos, agora, a duas ações governamentais que mereceriam mais reflexões pelos seus autores. No campo federal, o presidente Jair Bolsonaro, sobre quem reside grandes expectativas, e sua decisão de ampliar o posse de armas, como prometido em campanha.
Outra decisão, já no terreno do Espírito Santo, vem das mãos do governador Renato Casagrande, que aprovou na Assembleia Legislativa projeto de anistia para militares envolvidos na greve de fevereiro de 2017, que provocou 219 mortes e depredações a centenas de estabelecimentos comerciais, um grandee prejuízo nacional, com a convocação da Guarda Nacional para conter a desordem, coroada agora com a anistia.
O problema é o amanhã. Pode ser, quem sabe, que os perto de 3 mil militares anistiados amanhã venham a transformar o governador Casagrande num herói, mas o que restará de exemplo para a sociedade num futuro próximo? Só o tempo dirá. Não creio que um afago político, irresponsável, construirá a grandeza do futuro!
A corrida ao armamento deve ser cautelosa. Não posso ir correndo ao empório adquirir uma arma só porque um simples decreto governamental permite. O desarmamento foi um erro grosseiro. Deveriam ter limitado, em exigências, o posse de arma. Enquanto isso, os bandidos estão armados até os dentes, e a sociedade desarmada.
No caso da anistia aos policiais militares envolvidos na greve, nos parece um ato apressado, perigoso. Como anistiar quem não pode fazer greve e causou um prejuízo moral e financeiro ao Estado, à sua sociedade, com 219 mortes nas costas? Coisa difícil de se apagar, a não ser com o tempo. Vamos ver como essas coisas se comportarão brevemente...
*O autor é jornalista