Luiz Carlos Menezes*
É muito cedo para traçarmos prognósticos acerca do recém-empossado governo do presidente Jair Bolsonaro. Muito embora haja um clima de esperança (pesquisa Datafolha mostrou que 65% dos brasileiros apostam na melhoria da economia), as dificuldades são muitas. Depois de 13 anos de desastrosas gestões petistas, em que o Brasil fracassou na economia, na saúde e na educação, o desafio de colocar o país nos trilhos será gigantesco. Saímos de um triste período no qual o Brasil só cresceu mesmo na corrupção, nos gastos públicos, nos assaltos às estatais, nas falcatruas no BNDES, no empreguismo e na violência.
O novo governo, ao trazer a esperança de um Brasil melhor, tornou oportuna a repetição do título do artigo que assinei neste espaço em novembro de 2015 (no auge da crise). Afirmei naquela ocasião que a crise estava servindo para mostrar aos brasileiros o tamanho do estrago causado pelas três principais mazelas nacionais: esquerdismo, burocracia e corrupção. Disse mais: que a crise estava fazendo cair as fichas para muitos brasileiros que acreditaram naquela ideologia utópica. Acho que o resultado das eleições mostrou isso: os eleitores enxergaram as mazelas provocadas pelos governos passados e o grande mal que aquela velha política (do toma lá dá cá e da corrupção para manter o poder) causou ao Brasil. Ainda bem que, conscientemente, os brasileiros optaram em dar um novo rumo para o país.
No entanto, a despeito do alto nível da nova equipe de governo, duas grandes dificuldades exigirão muita habilidade política para serem superadas: a resistência de boa parte da sociedade às reformas estruturantes – principalmente com relação à da Previdência (imprescindível) – e à obtenção dos 2/3 necessários para a aprovação pelo Congresso Nacional.
Existe ainda outro desafio a ser enfrentado pelo novo governo: o resgate da autoestima do brasileiro e a recuperação do senso de cidadania. Nesse sentido, um primeiro passo seria a presença da nossa bandeira nas escolas, nas repartições públicas e em outras instituições oficiais, a exemplo dos países desenvolvidos. O verde e amarelo e o slogan “Ordem e Progresso” precisam ser permanentemente lembrados.
Sabemos que as dificuldades serão grandes e muitas. Mas com uma equipe de governo competente – formada sem conchavos políticos –, com austeridade na gestão das contas públicas e firme vontade política de realização das reformas necessárias, o governo Bolsonaro poderá mostrar que o Brasil tem jeito.
*O autor é engenheiro civil, empresário e conselheiro da Ademi-ES e do PDU de Vitória