A economia do Espírito Santo movimenta negócios em diversas cadeias produtivas, como cafeicultura, fruticultura, mármore e granito, petróleo e siderurgia. O estado é o segundo maior produtor brasileiro de café conilon, participando com mais de 30% desse mercado, atrás apenas de Minas Gerais. O produto é a principal renda das pequenas e médias empresas, reforçando o papel de atividade relevante para região capixaba, onde representa mais de 75% da produção.
Segundo um levantamento do governo do Espírito Santo, o agronegócio absorve 33% da população economicamente ativa na localidade e é responsável por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, sendo a atividade econômica mais importante em 80% dos municípios capixabas. O setor engloba desde a produção agropecuária e extrativa não mineral até as atividades de transporte, comércio e serviços ligados à distribuição dos bens produzidos no campo.
Vale ressaltar que a importância do agronegócio para a geração de riqueza, emprego e renda no Brasil é comprovada por inúmeras estatísticas. Em 2022, o setor representou 24,8% do PIB brasileiro, o equivalente a 2,46 trilhões de reais, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP).
O setor foi responsável por 19,4% dos empregos no Brasil em 2022, o equivalente a um contingente de 18 milhões de pessoas. A relevância do agronegócio também pode ser observada na balança comercial brasileira, em que o setor foi responsável por 47,6% das exportações do Brasil, em 2022, e por um saldo comercial de 141,9 bilhões de dólares, de acordo com estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Já no cenário global, nos últimos anos, o setor de café solúvel cresceu exponencialmente e se tornou destaque internacional na produção de produtos especiais como o tipo arábica que é cultivado nas montanhas capixabas e valorizado nas principais torrefadoras do mundo.
De acordo com dados do relatório estatístico da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as exportações nacionais do produto somaram o equivalente a 3,719 milhões de sacas de 60 kg em 2022, apresentando queda de 9,1% na comparação com 2021. Em receita, contudo, os embarques alcançaram faturamento recorde de US$ 705,7 milhões, avançando 24,5% frente aos US$ 566,7 milhões obtidos em 2021.
Também no ano passado, a região capixaba representou 17% das divisas nacionais, um crescimento considerável em relação a 2021, quando a participação no volume e nas divisas geradas de exportação de café solúvel eram de 11,4% e 9,9%, respectivamente, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, do governo estadual.
Acompanhando o desenvolvimento local e o aumento do volume de exportação de café no estado, vieram também os inúmeros desafios que as empresas, que na maioria é do tipo familiar, vêm enfrentando para manter esse ritmo de crescimento. Entre os desafios, destaque para a necessidade de a melhoria de processos operacionais visando segurança e eficiência operacional, tema onde a tecnologia pode ser uma importante aliado.
O aprimoramento da governança corporativa será fundamental para garantir um crescimento consistente e estruturado das empresas do segmento e dar tração a agendas estratégicas como diversificação de fontes de capital, digitalização das operações e governança dos dados, sustentabilidade e inovação na fronteira dos negócios, que são essenciais para a competitividade e abertura de novos mercados.
Levantamento feito em parceria com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativo com 367 produtores rurais brasileiros que atuam na agropecuária nacional, mostrou que, para 85% deles, uma boa governança corporativa é importante ou muito relevante para o negócio. As principais necessidades de governança apontadas pelas empresas no levantamento se referem a gestão de riscos, melhoria nos controles internos/compliance, formalização de papéis e responsabilidades e plano de sucessão.
O principal desafio apontado pelas empresas familiares é a sucessão. Os aspectos ligados a sustentabilidade têm sido debatidos nos altos escalões dos empreendimentos rurais, porém ainda há desafios relevantes. O levantamento também mostrou que a inovação é um tema emergente, presente nas discussões estratégicas periódicas de quase a metade dos produtores integrantes da amostra. Tanto o tamanho da empresa quanto a geração no comando (no caso dos empreendimentos rurais familiares) parecem estar associadas à maior adoção de boas práticas de governança.
Vale notar que, com a pandemia da Covid-19, o movimento de transformação digital foi acelerado por muitas empresas não só do Espírito Santo, mas brasileiras de uma forma geral. Tal processo requer a necessidade de investimentos em tecnologias de toda ordem pelas produtoras de café, particularmente pelas de pequeno e médio porte, para manutenção de competitividade no mercado.
Em suma, a governança corporativa é fundamental para o crescimento eficiente e sustentável dos negócios. Com a produção de café do Espírito Santo ganhando cada vez mais espaço, ter bons indicadores de governança é uma exigência não só do mercado nacional e internacional, mas de todos os stakeholders da cadeia de valor, em especial os consumidores. É um passo importante para que esse setor, que sempre foi forte, cresça gerando valor econômico e socioambiental de forma consistente