Entre os diversos impactos ocasionados pela pandemia da Covid-19, o desemprego tem sido um dos temas incessantemente debatidos por analistas mundo afora. Isso inclui o Brasil e, consequentemente, o Espírito Santo. Por conta disso, como este ano teremos as eleições municipais, será quase impossível um candidato a gestor municipal se esquivar da “crise do trabalho” em campanha.
Podemos dizer que até para os economistas é difícil antever precisamente os cenários futuros que nos esperam por conta da pandemia, mas alguns estudos e possíveis estatísticas já estão sendo divulgadas. A FGV, por exemplo, conjectura que o Brasil chegará até o fim do ano com 17,8% de brasileiros sem trabalho.
Em relação ao Espírito Santo, segundo o IBGE, foi registrado 238 mil desempregados no primeiro trimestre de 2020. Também contabilizou-se no mesmo período o número de 327 mil subocupados e desalentados (pessoas que não trabalham e desistiram de procurar emprego).
A partir dessa contextualização, podemos afirmar que aqueles candidatos que demonstrarem capacidade de resolver problemas a fim de melhorar o bem-estar de seus munícipes se destacarão. Isso porque, levando em consideração os estudos do economista e Prêmio Nobel Christopher Antoniou Pissarides, que defende a teoria de que a saúde e o bem-estar precisam ser vistos como o primeiro propósito da economia, concluímos que este “novo tempo” cobrará uma nova postura de um gestor público. Ademais, o novo coronavírus vem mostrando o quanto a saúde, ou melhor, a falta dela, reverbera no insucesso econômico.
Nesta crise em que o país está inserido, nenhum candidato possui (ainda) resposta para propor medidas de contrapeso de perdas e consolidação de emprego, porque não temos previsão da vacina contra a Covid-19. Desconhecemos como será o “novo normal”. Por isso, não se pode mensurar como se fará a recuperação da economia.
Entretanto, após esta situação, o que se espera é a retomada das atividades econômicas a todo vapor, inserções de programas de investimentos; enfim, providências e reinvenções para um recomeço... Afinal, há quem diga que a “segunda onda” da pandemia é o desemprego e é nesta “onda” que os candidatos a prefeitos terão que “surfar”.
*A autora é jornalista especialista em marketing político