A despeito dos processos urbanos ocorridos nas cidades às margens da Baía de Vitória, a expansão do aquaviário foi interrompida na década de 90. A competição promovida à época entre as vias aquáticas prontas e os caminhos construídos por terra definiu a extinção. Esse processo, sucintamente exposto, deixa evidente para a maioria da população que qualquer julgamento acerca da viabilidade do aquaviário que não considere a integração dos modais atuais para a Grande Vitória parece equivocado.
A eficiência inerente ao Sistema Transcol necessita ser debatida, principalmente por estar centrado no modal rodoviário, cuja capacidade de tráfego está condicionada às vias. Com a integração do aquaviário, os usuários certamente teriam construído outro modo de vivenciar seus deslocamentos cotidianos.
Se a população defende sua implementação hoje, ela está indicando alterações no Sistema Transcol para melhor atender seus anseios. Isso desde que ocorra a integração de tarifas entre os modais, gerando uma tarifa única e garantia da intermodalidade nos serviços públicos de transporte coletivo da região.
Chegamos a 2020, com um salve ao retorno do aquaviário! Sua defesa está contida na agenda “Cidades inclusivas: uma pauta para as eleições capixabas”, em proposta da rede BrCidades ES. O propósito é reduzir desigualdades socioeconômicas e territoriais das cidades, priorizar a melhoria das condições de vida da população em vulnerabilidade e garantir o direito à cidade e o acesso sustentável aos serviços públicos no transporte coletivo.
A priorização pelo transporte coletivo é indubitável e deve ser pautada pela integração entre os meios de locomoção, substituindo a lógica de competição pela de cooperação sistêmica entre as partes. Por que não imaginar que o aquaviário - integrado e amparado por terra por uma rede de outros modais - pode promover maior densidade de moradia nas imediações da Baía de Vitória? Tratando-se de investimento público, os eixos estruturais de transporte acabam por definir uma franja de zoneamento para incluir projetos que se antecipem à especulação imobiliária. Por fim, o argumento que não quer calar: as vias de transporte aquático estão prontas!
*Os autores são, respectivamente, arquiteta urbanista e professora doutora da Ufes; e arquiteto urbanista e doutorando da USP