
Hugo Tofoli*
Os resíduos sólidos tornaram-se, nos últimos anos, um dos problemas centrais em planejamento urbano e gestão pública nas grandes cidades do mundo. No Brasil, são gerados em torno de 160 mil toneladas diárias de resíduos sólidos urbanos; de 30% a 40% desta quantidade são passíveis de reaproveitamento e reciclagem.
No entanto, a atividade ainda é pouco explorada no país, com apenas 13% dos resíduos encaminhados para a reciclagem.
Para que o processo de reciclagem funcione, há dois atores principais: o poder público e os cidadãos, sendo o primeiro o responsável pela logística e investimento em educação ambiental e o segundo pela separação e destinação aos locais de entrega dos materiais.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos tem como uma de suas primícias os 3R: Reciclar, Reduzir e Reutilizar. Entendendo isso, o grande gargalo para evolução e ampliação da reciclagem no Espírito Santo e no Brasil é a educação das pessoas para a importância deste processo.
No Estado, existem cerca de 1.000 catadores de material reciclado, organizados em 69 associações espalhadas por todo o Espírito Santo. Eles são responsáveis por processar os materiais destinados à reciclagem, encaminhando às indústrias como matéria-prima para novos produtos, e são importantes agentes da economia solidária, que conta com o suporte da Aderes.
O cidadão é o principal ator para que toda a cadeia da reciclagem funcione, pois é a atuação efetiva desta parte que permite o trabalho do poder público e dos catadores. Neste sentido, o cidadão tem que fazer a separação e cobrar do poder público o investimento em logística para que este material chegue aos catadores.
Estima-se que cada brasileiro produza 1,02 kg de lixo por dia, o que significa um descarte de mais de 212 mil toneladas diariamente. Seria possível economizar R$ 8 bilhões por ano se todos os resíduos encaminhados aos lixões e aterros sanitários fossem reciclados.
Na semana em que comemoramos o Dia Nacional da Reciclagem (5 de junho) e o Dia do Catador de Lixo (7), fica um apelo para que todos se conscientizem dos benefícios desta atividade, que reduz áreas utilizadas como aterros sanitários, gera renda e ocupação para catadores e emprego nas indústrias de reciclagem. A reciclagem é um processo simples e com alto impacto ambiental e econômico. Reciclemos, então!
*O autor é diretor técnico da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes)