Fatos recentes de grandes operações policiais envolvendo políticos atrelados a escritórios de advocacia alertam-nos quanto à necessidade de trabalharmos exaustivamente na construção de pilares éticos e morais em nossa sociedade e, por mera oportunidade de ilustração, nos ambientes político e jurídico.
A advocacia, que consiste historicamente numa elite intelectual que inspirava respeito e confiança, vem perdendo essa reputação por conta de alguns delinquentes camuflados pela identidade profissional. A questão é que, para o bem da República, as duas categorias, que são protagonistas do Estado Democrático, precisam retomar a credibilidade.
A classe política brasileira, infelizmente, passa por um momento de grande necessidade de reformulação de seus valores éticos, tendo praticado com os seus mandatos o que certamente não se faz com aquilo que se tem apreço. Grandes processos criminais envolvendo os diversos flancos políticos e ideológicos brasileiros ilustram isso. O problema não é isolado, mas sistêmico.
Para liderar essa recuperação, o ambiente político às vésperas de eleições municipais é propício para que os candidatos deem o exemplo e façam propostas que realmente irão cumprir, caso homenageados com o voto. O que a sociedade tem vivido é o contrário: promessas encantadoras e populistas, que são ignoradas após a investidura da representatividade, tornando nosso voto de confiança um lamento do início ao fim.
A oportunidade acima também serve para os representantes da advocacia, que ainda têm outras ocasiões para tentar o recobramento de seu prestígio na sociedade, já que o mantra de que todos merecem defesa não deve permitir ao advogado confundir as suas atividades com a dos seus clientes, passando de patrono a cúmplice. Precisamos perceber que apesar de sermos uma profissão independentemente um dos outros, estamos atrelados umbilicalmente pela ética, mais precisamente, quando ela falta.
Precisamos urgentemente recuperar esse valor na atuação coletiva, mas principalmente na política e na advocacia, capazes de guiar a nossa sociedade com o bom exemplo, tão essencial ao desenvolvimento do Brasil e ao equilíbrio democrático.
*A autora é advogada, especialista em Direito do Estado e do Consumidor