O que explica uma redução de 52,6% nas mortes violentas entre 2022 e 2025, passando de 22,7 para 10,8 por cem mil habitantes? Como uma capital consegue alcançar quase 650 dias sem registro de feminicídio? Esses resultados são fruto de acaso estatístico ou revelam algo mais profundo na estrutura das políticas públicas implementadas?
Indicadores dessa magnitude não surgem de maneira espontânea. Quando a violência cai de forma duradoura e consistente, é sinal de que múltiplos fatores passaram a atuar de maneira coordenada. Segurança pública efetiva não se constrói apenas com ações policiais. Ela nasce da prevenção, da inclusão, da educação, da ocupação qualificada do espaço urbano e da geração de oportunidades.
Vitória vem consolidando um modelo que combina inteligência policial, presença territorial e políticas sociais, culturais, esportivas e educacionais.
Em janeiro de 2021, a Capital de todos os capixabas possuía apenas quatro escolas de tempo integral. Em 2025, já eram 41. Atualmente, a rede alcança 50 unidades. A expansão não representa apenas ampliação de carga horária, mas um novo conceito educacional, com infraestrutura adequada, amor, empatia, cinco refeições diárias, desenvolvimento de competências e construção de projeto de vida para os estudantes.
A cidade conquistou o selo ouro do Ministério da Educação na alfabetização até o 2º ano, demonstrando solidez pedagógica na base do processo formativo. Alfabetizar na idade certa reduz evasão, amplia perspectivas e rompe ciclos de vulnerabilidade que, historicamente, alimentam a violência estrutural.
Manter crianças e adolescentes protegidos durante todo o dia, inseridos em ambiente educativo qualificado, é uma das estratégias mais eficazes de prevenção social ao crime.
O impacto da escola em tempo integral ultrapassa os muros da unidade escolar. Ao garantir que os filhos permaneçam em ambiente seguro e estruturado, o município cria condições para que mães possam se qualificar e trabalhar com tranquilidade.
Por meio da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos, são oferecidos cursos profissionalizantes, com apoio específico para mulheres em situação de vulnerabilidade social ou violência e mães solo. A qualificação gera renda, autonomia financeira e rompe ciclos de dependência financeira ou econômica que muitas vezes sustentam relações abusivas.
Essa rede de proteção e emancipação ajuda a compreender o longo período sem registro de feminicídio. Segurança também é autonomia econômica e acesso a políticas públicas.
O programa Vix + Cidadania ampliou a proteção social às famílias em extrema pobreza. Mais de nove mil famílias já foram atendidas. O benefício, concedido por meio de cartão, permite que cada membro receba um valor individual para aquisição de alimentos e itens essenciais.
O formato garante liberdade de escolha, melhora a segurança alimentar e aquece a economia local. A família decide se compra proteína, hortifrúti ou gás de cozinha. Esse modelo fortalece a dignidade, reduz insegurança alimentar e diminui tensões sociais associadas à pobreza extrema.
Vitória ocupa posição de destaque nacional em acesso e qualidade da atenção primária à saúde pública. O acesso ampliado à prevenção, acompanhamento contínuo e resolutividade reduz vulnerabilidades e aumenta a sensação de segurança social.
Famílias que têm acesso a serviços de saúde estruturados enfrentam menos instabilidade e menos riscos associados a crises sanitárias.
A transformação urbana também cumpre papel central. A construção de “parques Kids”, academias populares, cobertura de quadras e reforma de praças requalificou áreas antes degradadas ou marcadas pela ausência do poder público.
Espaços antes abandonados passaram a ser ocupados por famílias, crianças, idosos e trabalhadores. Essa ocupação positiva altera a dinâmica territorial, fortalece vínculos comunitários, inibe práticas ilícitas e gera pertencimento.
Além disso, a revitalização urbana gera renda. Ambulantes, “food trucks” e pequenos empreendedores encontram nesses espaços oportunidade de trabalho. A prefeitura, ao oferecer cursos de qualificação, integra desenvolvimento econômico à política urbana.
Quando educação integral, transferência de renda, qualificação profissional, saúde pública estruturada, valorização da Guarda Municipal, tecnologia e ocupação urbana atuam de forma integrada, o resultado não é apenas estatístico. Ele se traduz em vidas preservadas.
A redução de 52,6% nas mortes violentas entre 2022 e 2025 não é um evento isolado. É a comprovação de que segurança não se faz apenas com repressão, mas com prevenção estruturada e investimento contínuo em políticas públicas que cuidam das pessoas, acolhem e geram oportunidades.
Assim, Vitória aprendeu que cidades mais seguras são aquelas que tratam segurança como política de Estado, com continuidade administrativa, planejamento a longo prazo, visão sistêmica e diálogo permanente com todas as instituições e lideranças comunitárias.
Os números ajudam a contar a história, mas o que eles revelam, de fato, é que quando o poder público decide investir em educação, saúde, lazer, esporte, cultura, dignidade, oportunidade e presença qualificada nos territórios, a violência deixa de ser destino e passa a ser enfrentada com inteligência e humanidade. Um resultado que nos enche de alegria e esperança de um futuro promissor sendo construído agora.