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Artigo de Opinião

Política

Conflitos no governo Bolsonaro mostram que a lua de mel acabou

No Legislativo, há tensões. O individualismo dos eleitos e a tensão entre Executivo e Legislativo retardam decisões

Publicado em 27 de Abril de 2019 às 01:42

Publicado em 

27 abr 2019 às 01:42
Jair Bolsonaro durante a entrega do texto da reforma da Previdência a Rodrigo Maia, em fevereiro
Antônio Carlos de Medeiros*
 
O governo Bolsonaro passou dos 100 dias tateando e sem uma resultante. Na política, o jogo de poder expressa uma correlação de forças que convergem para uma resultante: um pacto de poder e uma agenda. Não é ainda o caso. Há conflitos entre visões de mundo dentro do governo. Uma tensão entre o grupo conservador-ideológico e o grupo técnico e liberal, permeada pela ação dos filhos do presidente. Tudo isto retarda decisões.
No poder Legislativo, há tensões entre novatos e veteranos. E uma inédita atuação individualista de muitos eleitos em campanhas-solo, o que dificulta a costura de acordos partidários. Sem falar na tensão entre Executivo e Legislativo. Tudo isto retarda decisões. E estimula um protagonismo do Congresso. Rodrigo Maia e David Alcolumbre atuam em sintonia. O poder Judiciário debate-se em conflitos do STF com o MPF e com os núcleos da Lava Jato. Conflitos que se retroalimentam. Uma disputa de protagonismo que enfraquece o Judiciário e reduz a capacidade moderadora do STF.
Tudo somado, os impasses institucionais aumentam a ciclotimia do mercado. Temos um zigue-zague dos três poderes e uma correlação de forças sem resultante. Um ambiente que pode levar a economia a embicar outra vez.
É ilusão achar que Bolsonaro vai abandonar seu núcleo eleitoral original e a ideia-força do bolsonarismo. A identidade mais forte entre os eleitores dele é a de conservador. Ele fala para os seus 30% do eleitorado. Tem 4 milhões no Twitter; 9,4 milhões na fanpage do Facebook; e 11,5 milhões no Instagram.
E daí? Daí que as contradições devem continuar. Até porque elas refletem as clivagens da sociedade. Mas a realidade poderá se impor, pela absoluta necessidade de desatar o nó da Previdência. O Congresso caminha nesta direção e tende a assumir mais protagonismo.
Se a Previdência passar, a resultante política poderá advir, com a liderança do Congresso, da implantação da agenda liberal de Paulo Guedes, com seus efeitos reais na retomada do crescimento. Esta agenda aponta para um ciclo virtuoso de desenvolvimento e geração de emprego. Pode levar a um crescimento estimado acima de 3% a partir de 2020 e pode duplicar o PIB potencial – segundo Carlos Langoni, da FGV.
A agenda inclui a abertura da economia, provocando aumento da taxa de investimento e produtividade; a tecnologia e a inovação; a reforma tributária; o novo mercado de gás e a reindustrialização; e a eliminação do déficit fiscal em até três anos.
O problema desta resultante virtuosa é o timing. A agenda não pode ser procrastinada pelas disputas de poder da micropolítica no governo, no Congresso e no Judiciário. Este é o imponderável da costura de uma resultante na política nacional. Mas o instinto de sobrevivência poderá fazer surgir a resultante do “parlamentarismo branco”. Acabou a lua de mel.
*O autor é pós-doutor em ciência política pela The London School of Economics and Political Science
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