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Jailson Miranda

Artigo de Opinião

Jailson Miranda

Conselhos comunitários devem ser prioridade no controle da violência

Maior desafio das cidades na contenção da criminalidade não está apenas nas guardas municipais, nas operações policiais e em aparatos bélicos, mas em construir politicas de segurança com e para o cidadão
Jailson Miranda

Publicado em 27 de Fevereiro de 2021 às 10:00

Publicado em 

27 fev 2021 às 10:00
Entre os presos está o suspeito de matar um frentista na cidade, em outubro de 2020
Operação Estado Presente em Cachoeiro prende 7 pessoas Crédito: Sesp
Nas duas últimas décadas, o Espírito Santo vivencia uma nova realidade na segurança pública: municípios assumindo o protagonismo do debate, com um conjunto de iniciativas e responsabilidades, seja na formação de guardas municipais, seja na criação de secretarias para o desenvolvimento de Planos Municipais de Segurança.
Essa cobrança deverá ser reforçada ainda mais, diante das demandas de segurança, tranquilidade e salubridade pública da própria população. As Organizações da Sociedade Civil (OSCs), ferramentas da democracia, voltadas para segurança pública, pouco valorizadas, são uma ponte entre a administração do município e o cidadão para a construção de políticas públicas e sociais. 
A gestão democrática da segurança nas cidades tem sua gênese com a criação do Conselho Interativo de Segurança de Guaçuí, no Sul do Espírito Santo, em 1994. Pela primeira vez se reuniam prefeito, vereadores, juízes, promotores representantes da PM, PC, Igrejas e comércio para discutir e solucionar problemas.
Guaçuí estimulou a criação de mais de 100 conselhos no Estado, registrando a maior mobilização comunitária da história na segurança, chegando a seu ápice em 2001, quando se reuniram mais de 1.500 lideranças no Teatro da Ufes para avaliar o Programa Estadual de Segurança Pública, denominado Propas.
A partir de 2003, o que se viu foi a desmobilização dos conselhos e, coincidentemente, a interrupção da curva de diminuição dos homicídios no Espírito Santo, entretanto a semente estava plantada! Cidadãos e operadores da segurança continuavam a ser capacitados nas academias de polícia em Direitos Humanos e Segurança Cidadã.
Em 2009, com advento do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), a estratégia de unir políticas de segurança e ações sociais é colocada mais uma vez em pauta, priorizando a prevenção da violência. Assim nasce em 2010 o Projeto de Territórios de Paz.
O Território de Paz tem como estratégia a Polícia Comunitária e potencializar projetos sociais em regiões de vulnerabilidade social de maior concentração de homicídios nos municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória. Criam-se ali os Gabinetes de Gestão Integrada Municipal, os observatórios da violência e as centrais de videomonitoramento e os conselhos.
No primeiro ano de projeto, a Grande Vitória reduziu em 21,18% o número de homicídios, e o Território de Paz diminui em 38,24%. Nesse ano começa a trajetória de queda dos homicídios, até 2017.
O Território de Paz, mantido majoritariamente por recursos da União, viu-se necessitado de continuidade. Coube ao governo do Estado então prover e ampliar as políticas públicas com o programa Estado Presente.
Nestas idas e vindas, é notório que a participação do cidadão ainda é precária e necessita de apoio governamental, especialmente dos municípios, onde o crime realmente acontece.
Enfim, com cidadãos conscientizados, o maior desafio dos prefeitos na contenção e controle da criminalidade no município não está apenas nas polícias e guardas municipais, nas episódicas operações policiais integradas, na criação de grupos táticos, em aparatos bélicos, mas em construir politicas de segurança com e para a comunidade.
E de fato exercer o previsto na Constituição Estadual: “Assegurar, na forma da lei, o caráter democrático na formulação da política e no controle das ações de segurança pública do Estado, com a participação da sociedade civil”.
Aprendemos nos bancos escolares militares que “a comunidade não rejeita oferta de segurança”, então fortalecer asOrganizações da Sociedade Civil é uma necessidade.
O autor é ex-chefe do Estado-Maior Geral da Polícia Militar do Espírito Santo e ex-secretário de Defesa Social da Serra
* Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta
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