Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Nésio Fernandes

Artigo de Opinião

É batista e médico sanitarista. Foi secretário da Saúde do ES e secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde. Também presidiu o Conass (Conselho Nacional de Secretário de Estado da Saúde)
Nésio Fernandes

Conservador no rito, radical no amor

O Cristo crucificado nos ensina que não há espiritualidade legítima que ignore os crucificados da história.
Nésio Fernandes
É batista e médico sanitarista. Foi secretário da Saúde do ES e secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde. Também presidiu o Conass (Conselho Nacional de Secretário de Estado da Saúde)

Publicado em 27 de Maio de 2025 às 13:04

Publicado em 

27 mai 2025 às 13:04
Não há problema algum em ser conservador na religiosidade. Amar o rito, o sacramento, a ordenança, a liturgia. Muitos cristãos, ao longo da história, encontraram no sagrado da forma e na beleza do culto tradicional o alimento necessário para uma fé profunda, comprometida e transformadora.
O problema começa quando o zelo pelas formas se transforma em indiferença diante das dores do mundo. Quando a ortodoxia substitui a misericórdia. Quando a tradição vira desculpa para negar o essencial do Evangelho: a justiça, a compaixão, a solidariedade concreta com os que sofrem.
A fé cristã não é neutra diante do sofrimento. O Cristo crucificado nos ensina que não há espiritualidade legítima que ignore os crucificados da história.
Padre Júlio Lancelotti é um exemplo vivo disso. Conservador na liturgia, no afeto pelo sagrado, mas radical no amor que pratica junto aos empobrecidos, encarcerados, perseguidos.
Thomas Merton, monge trapista, mesmo recolhido num mosteiro, ergueu a voz contra a guerra, a injustiça e as armas nucleares, sem jamais abandonar a tradição contemplativa.
No campo protestante, Dietrich Bonhoeffer enfrentou o nazismo, pagou com a própria vida por não trair o Evangelho. Martin Luther King Jr. pregava nos moldes da tradição batista, mas suas palavras incendiaram consciências contra o racismo, a guerra do Vietnã e a pobreza estrutural.
Religião e Racismo
Martin Luther King Jr. Crédito: Reprodução
Não se trata de uma disputa entre conservadorismo e progressismo. Trata-se de fidelidade ao Cristo vivo.
O massacre do povo palestino, as guerras, a fome e a exclusão deveriam comover e mobilizar todos os que professam a fé cristã. Não é uma questão política: é uma exigência do amor.
Ser cristão é carregar a cruz — não os símbolos do poder que a fincaram no Gólgota.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados