
Gutman Uchôa de Mendonça*
Há casos em que costumamos trocar seis por meia dúzia, ficando tudo elas por elas. No caso presente, no entanto, trocamos três por zero. É o seguinte: tínhamos três senadores na representação do Estado do Espírito Santo – Ricardo Ferraço, Magno Malta e Rose de Freitas.
Ferraço, de todos, era o mais elegante, defendendo com propriedade os interesses do Estado e do país. Pelo menos com alguma propriedade foi o relator da reforma trabalhista, embora não tivesse a necessária coragem para propor a extinção da Justiça do Trabalho, uma das maiores aberrações no campo jurídico mundial.
Mesmo assim, a reforma valeu a pena, embora desestruturasse o sistema sindical com a desobrigação do trabalhador participar com a sustentação do seu sindicato de classe, a chamada contribuição sindical.
O senador Magno Malta, o mais agitado de todos, era um crítico verdadeiro, contumaz, dos dirigentes nacionais e suas irresponsabilidades. Já Rose de Freitas até hoje não disse a que veio e jamais saberemos para onde irá... Negócio sério!
Elegemos, na maré de renovação, novos senadores, na figura dos ilustres desconhecidos Marcos Do Val e Fabiano Contarato. Parecia que tínhamos realizado um grande feito, substituindo dois dos antigos senadores capixabas. A grande esperança, na minha opinião, era a figura do senador Do Val, inclusive no seu primeiro embate no Senado contra a reeleição de Renan Calheiros. Surpreendentemente, Do Val diz que vai voltar às suas palestras sobre segurança para complementar sua renda porque o que recebe como senador - R$ 33.700 por mês - não cobre suas despesas. Raios, será que ele não sabia que ia ganhar “tão pouco” para morar na capital federal?
Contarato é contra tudo, inclusive contra a decisão do governo em acabar com a disseminação vergonhosa de barreiras eletrônicas nas rodovias. Trata-se de arapucas montadas em conluio com administradores públicos. Se ele dissesse antes que era contra a retirada dos radares das rodovias do Espírito Santo (e do Brasil), não se elegeria. No caso de Rose de Freitas, não existem alternativas senão aguardar o fim do seu mandato.
Seria idiotice esperar que os ventos das mudanças políticas nacionais promovessem uma varredura total. No caso do Espírito Santo, há esperança?
*O autor é jornalista