
Rodrigo Marcovich Rossoni e Rafael Cláudio Simões*
Um dos elementos centrais para o sucesso do combate à corrupção é a difusão de práticas éticas pela sociedade, nas relações entre as instituições públicas e entre estas e os cidadãos e as empresas. Uma questão, no entanto, é: o que é a ética?
Milhares de livros e artigos já foram escritos sobre o tema e aqui não é o espaço para resolver as disputas entre as diversas visões sobre a questão. Poderíamos estabelecer que a ética é fazer a coisa certa. Mas no âmbito das relações políticas de uma sociedade, o que é fazer a coisa certa? Eventualmente pode existir um governo onde não ocorram casos de corrupção porque o dinheiro público não é investido em nada. Zero corrupção. Zero ação social e pelo desenvolvimento. Esse exemplo extremo não parece um caso de sucesso da ética.
Assim, para nossos objetivos, definimos a ética como promover a melhor utilização possível dos recursos públicos – pensando tanto nos meios quanto nos fins – e não permitindo que esses sejam desviados para a utilização privada, seja esta pessoal, familiar, de grupo ou empresarial. Quando falamos em recursos, estamos nos referindo a recursos humanos e materiais.
Compreendida assim dessa maneira, a ética coloca a necessidade de, digamos, pensar em dois polos ativos nessa relação. Na maioria dos casos, a corrupção envolve o setor público, seja um agente político e/ou um servidor, e o privado, seja uma grande empresa ou um cidadão. Desse modo, para que o ambiente público seja pautado pela ética é condição sine qua non que ambas as partes da equação estejam comprometidas com a ética.
Por certo, mecanismos de controle e punição existem e devem ser continuamente aprimorados para aqueles que buscam burlar os valores éticos estabelecidos, mas não é possível pensar que esses instrumentos tenham a capacidade de impedir todas as transgressões à ética que podem ocorrer.
De tal maneira, que se coloca como essencial que a sociedade promova a discussão e a valorização da ética em todas as instâncias possíveis: no trabalho, no ambiente familiar, nas escolas, nos clubes, nas igrejas, nas associações etc. Entretanto, cumpre destacar que os líderes políticos, econômicos, sociais e culturais de uma sociedade devem dar o exemplo. Eles, especialmente, pelo reconhecimento social e político que desfrutam, devem valorizar sempre, cotidianamente, nas pequenas e grandes coisas, fazer a coisa certa.
*Os autores são, respectivamente, secretário-geral da Transparência Capixaba, graduado em Economia e pós-graduando em Gestão de Finanças Públicas; membro da Transparência Capixaba, doutorando em História e professor da UVV