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Felipe Ramaldes Corrêa

Artigo de Opinião

É mestre em Sociologia Política e consultor de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados
Felipe Ramaldes Corrêa

Eleições 2022: o dilema de Casagrande

Apesar de fazer um governo bem avaliado, com recursos em caixa que permitiu a ele realizar entregas do início até o presente momento, Casagrande sabe que o eleitorado capixaba tem perfil mais conservador e ainda alimenta um sentimento antipetista
Felipe Ramaldes Corrêa
É mestre em Sociologia Política e consultor de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados

Publicado em 18 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Publicado em 

18 fev 2022 às 02:00
A secretaria Cyntia Figueira Grillo (Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social) e a vice-governadora Jacqueline Moraes participaram do anúncio do novo Bolsa Capixaba, junto do governador Renato Casagrande
O governador Renato Casagrande Crédito: Helio Filho | Divulgação - Governo do Espírito Santo
Normalmente, as eleições seguem acordos prescritos que vão se desenhando ao longo do tempo e, por isso, até mesmo as reviravoltas são passíveis de previsão, já que são frutos de dissenções que tiveram seus contornos esboçados em momentos anteriores.
Podemos usar como exemplo as negociações que podem levar Alckmin ao PSB e a subir no palanque de Lula como seu vice-presidente. Quem diria? Talvez alguns analistas políticos que observaram todo o enredo da disputa entre Alckmin e Doria para liderar os rumos do PSDB nacionalmente poderiam ter uma pista.
Pois bem, tudo aponta que no Espírito Santo também teremos uma reviravolta, já que o verão em janeiro parece ter sido mais quente para o governador Renato Casagrande (PSB) do que para o resto da população capixaba. Como era de se esperar, a sua ampla base aliada está prestes a estremecer com a possível chegada de um aliado indesejado para o governador: o Partido dos Trabalhadores.
Com as pesquisas apontando para Lula (PT) como a principal via para tentar derrotar o presidente Jair Bolsonaro (PL), as peças posicionadas no tabuleiro passaram a se movimentar, pressionando o governador Renato Casagrande que, para além de sua vontade, está se vendo sem prestígio nas negociações de apoio do PSB ao PT em âmbito nacional, que debate a criação de uma federação incluindo também o PV e o PCdoB, em uma ampla aliança de esquerda.
Vale lembrar o contexto: em 2011, aproveitando seu histórico no Senado de apoio ao então presidente Lula e de olho em sua popularidade, Casagrande foi eleito pela primeira vez como governador contando com o apoio do PT, sendo seu vice-governador do partido.
Na eleição seguinte, Casagrande perdeu para seu ex-aliado Paulo Hartung (atualmente sem partido), e em 2019 foi eleito novamente, após ter se afastado de vez e intencionalmente da aliança com o PT, temendo os abalos que poderia sofrer com a onda do antipetismo.
Com esse cenário posto e voltando para 2022, o mês de janeiro foi marcado, de um lado, pela colocação do senador Fabiano Contarato como candidato a governador do Espírito Santo pelo PT e, por outro lado, pela resistência de Casagrande (que também é secretário nacional do PSB) em formar uma federação com o PT e ser obrigado a ver o partido de volta à sua base aliada.
Apesar de fazer um governo bem avaliado, com recursos em caixa que permitiu a ele realizar entregas do início até o presente momento, Casagrande sabe que o eleitorado capixaba tem perfil mais conservador e ainda alimenta um sentimento antipetista muito forte, o que pôde ser visto na eleição do atual prefeito da capital (considerada vitrine política do Estado), Lorenzo Pazolini (Republicanos), que venceu João Coser (PT) com uma diferença de quase 30 mil votos (diferença de 17%).
Um elemento dificultador para Casagrande na aliança com o PT é que sua gestão foi realizada com aliados de diversos matizes partidários, como o Progressistas, que em nível nacional está alinhado com Bolsonaro (do qual Casagrande se opõe). Outro partido aliado com Casagrande é o Podemos, que recentemente anunciou Sergio Moro como candidato à Presidência e, por fim, o PSDB, que tem João Doria como cabeça de chapa.
Com esses adversários históricos de Lula, é difícil imaginar que o PSB capixaba conseguirá manter essa ampla base, caso se concretize a parceria com o PT em nível nacional. Desta forma, já podemos enxergar o início de uma grande reviravolta nas próximas semanas.
Por outro lado, caso consiga manter unida toda essa base mesmo com a entrada do PT como aliado, Casagrande se consagrará como um hábil articulador político. Em paralelo, um nome que cresce no Estado como efeito direto das negociações do PT com o PSB em nível nacional é o do ex-prefeito de Vitória, João Coser (PT). É o nome mais forte e próximo de Casagrande entre os petistas e, automaticamente, passa de candidato a deputado estadual para cotado como vice-governador ou eventual secretário, caso a aliança se concretize, em detrimento do deputado federal e ex-prefeito de Cariacica, Helder Salomão (PT).
Como João é considerado um petista mais moderado, ter ele como aliado pode ser um alento caso Casagrande tenha que engolir a seco a vinda do PT para sua base aliada. Se em janeiro Casagrande sofreu com o calor capixaba, caberá a ele mesmo diminuir essa temperatura até a chegada do outono. A conferir.
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