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Henrique Casamata

Artigo de Opinião

É engenheiro
Henrique Casamata

Expresso GV: mobilidade que pode redesenhar a economia da Av. Carlos Lindenberg

A obra é importante. Mas o que realmente fará diferença será a forma como a cidade decidirá se reorganizar a partir dela
Henrique Casamata
É engenheiro

Publicado em 08 de Maio de 2026 às 10:00

Publicado em 

08 mai 2026 às 10:00

Em Vila Velha, a implantação do corredor exclusivo de ônibus (BRT) ao longo da Avenida Carlos Lindenberg — o Expresso GV — representa muito mais do que uma obra de mobilidade urbana. Trata-se de uma intervenção com potencial para transformar a dinâmica urbana, econômica e imobiliária de um dos principais eixos da cidade.


Com investimento estimado em cerca de R$ 298 milhões e ligação prevista entre Vila Velha e Cariacica até 2027, o projeto promete reduzir o tempo de deslocamento, ampliar a eficiência do transporte coletivo e fortalecer a integração ao sistema Transcol. Entretanto, o principal impacto talvez não esteja apenas na mobilidade, mas na nova configuração urbana que poderá surgir ao redor desse corredor estruturante.

Historicamente, a Avenida Carlos Lindenberg consolidou-se como um eixo voltado à logística, ao transporte pesado e ao comércio técnico, concentrando oficinas, galpões e atividades ligadas à circulação de mercadorias. A chegada do BRT tende a alterar gradativamente essa vocação ao priorizar o fluxo de pessoas.
Obra do Expresso GV em Vila Velha
A experiência urbana demonstra que corredores modernos de transporte coletivo costumam atrair novos usos e estimular transformações econômicas. Onde existe mobilidade eficiente, há aumento da circulação de pessoas e, consequentemente, crescimento da demanda por comércio, serviços e novas centralidades urbanas. Isso abre espaço para supermercados, farmácias, restaurantes, instituições financeiras, clínicas e até empreendimentos de uso misto, integrando moradia, comércio e serviços.

Exemplos nacionais e internacionais reforçam essa tendência. Em Curitiba, os corredores de BRT tornaram-se importantes eixos de desenvolvimento urbano. Em Bogotá, o TransMilenio impulsionou a valorização imobiliária e modificou o uso do solo. Já em Belo Horizonte, os corredores MOVE estimularam o comércio local voltado ao fluxo diário de passageiros.

Diante desse cenário, surge uma questão central: a Carlos Lindenberg continuará sendo predominantemente um corredor logístico ou evoluirá para um eixo urbano mais diversificado e integrado à vida da cidade?

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A tendência aponta para um modelo híbrido, com permanência de parte da vocação logística, mas acompanhado de valorização imobiliária, expansão do setor de serviços e fortalecimento de novas atividades econômicas. Contudo, essa transformação dependerá de fatores complementares, como qualificação dos espaços públicos, segurança urbana, integração entre bairros e planejamento territorial.

Nesse contexto, o debate sobre a revisão do PDM — Plano Diretor Municipal — pode se tornar decisivo para definir o futuro da chamada “Nova Lindenberg”. Atualmente, o projeto encontra-se em análise na Câmara Municipal de Vila Velha, abrindo espaço para propostas capazes de tornar o entorno do Expresso GV mais atrativo ao investimento privado e mais conectado às novas demandas da mobilidade contemporânea.

O Expresso GV, portanto, não deve ser visto apenas como uma obra viária. Trata-se de uma oportunidade estratégica de redefinir o papel de Vila Velha na dinâmica metropolitana da Grande Vitória. Mais do que encurtar distâncias, o projeto pode aproximar oportunidades, estimular investimentos e impulsionar uma nova lógica de desenvolvimento urbano.

A obra é importante. Mas o que realmente fará diferença será a forma como a cidade decidirá se reorganizar a partir dela.
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