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Artigo de Opinião

Tradição

Festa da Penha faz 448 anos cada vez mais antenada com a diversidade

Neste ano, a Festa da Penha se abre ainda mais e espera mais de 2 milhões de visitantes até segunda-feira

Publicado em 26 de Abril de 2019 às 19:30

Publicado em 

26 abr 2019 às 19:30
Bênção para casais no Convento da Penha Crédito: Matheus Passos - Procissão Fotográfica - Faesa
Manoel Goes Neto*
 
A festa de Nossa Senhora da Penha, realizada no Convento da Penha e no Parque do Sítio Histórico da Prainha, é uma homenagem à Padroeira do Espírito Santo. Além do significado religioso que tem para o Estado, é uma das mais importantes festas para o movimento turístico capixaba, crescendo a cada ano. Também é o maior evento religioso do Estado, e a terceira maior festividade mariana do Brasil, e que completa neste ano 448 anos de festividades ininterruptas.
O Convento propriamente dito foi fundado em 1651, praticamente 80 anos depois da morte do irmão leigo franciscano Pedro Palácios, que havia chegado em Vila Velha nos anos 1558, e construído no alto da Penha um oratório (ermida), onde colocou a estampa de Nossa Senhora das Alegrias, e escultura em madeira de Nossa Senhora da Penha, que mandara vir de Portugal.
No final do século XVI, a então governadora da Capitania do Estado do Espírito Santo, Dona Luísa Grinalda, fez a doação do Outeiro da Ermida das Palmeiras (Monte da Penha) para os franciscanos, através de Título Colonial de Doação. E, passados 448 anos, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil está prestes a receber o Título Definitivo de Posse (escritura definitiva) de toda a área do Monte da Penha.
Portanto, não foi frei Pedro Palácios que construiu o Convento, mesmo porque não tinha atribuição para decidir por essa fundação, e também porque aqui estava sozinho, tendo chegado já um ancião para a época, com cerca de 58 anos de idade. A obra do Convento contou com trabalho de devotos, de indígenas e de escravos africanos, existindo lá inclusive uma senzala que chegou a ter 60 serviçais, que atuavam também na manutenção.
Foi a partir de 1639 que o então Guardião do Convento da Penha, frei Paulo de Santo Antonio, transformou a então ermida em altar-mor e começou a construir a igreja que, com o passar dos anos, foi se ampliando até tomar a forma atual .
Em 1955, através do Título de Custódia para Serviço do Patrimônio da União, e homologado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), houve a entrega definitiva do Convento aos franciscanos por licença da Santa Sé (Vaticano).
Assim como fizeram o Imperador D. Pedro II e sua comitiva em 1860, hoje mais de 3,5 milhões de fiéis e turistas visitam por ano o Convento da Penha. Este ano, são esperados mais de 2 milhões de devotos e visitantes, participando de missas e romarias. Este ano, a festa abre à diversidade, com shows de escola de samba e dança do ventre, uma grande e bem-vinda novidade. Apenas na tradicional Romaria dos Homens, hoje Romaria das Famílias, estima-se a presença de mais de 600 mil pessoas. Cada edição a festa está mais aberta e diversa.
*O autor é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha e diretor no IHGES
 
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