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Elias Carvalho Soares

Artigo de Opinião

É criador do Festival de Inverno de Guaçuí (FIG)
Elias Carvalho Soares

Festivais do interior se consolidam como motores do turismo regional

Quando um festival cresce com a cidade e com a região, todos avançam juntos
Elias Carvalho Soares
É criador do Festival de Inverno de Guaçuí (FIG)

Publicado em 31 de Maio de 2026 às 14:00

Publicado em 

31 mai 2026 às 14:00
Festivais de música deixaram de ser apenas encontros culturais para se tornarem ferramentas estratégicas de desenvolvimento regional. Em cidades do interior, especialmente aquelas afastadas dos grandes centros urbanos, eventos desse porte têm a capacidade de transformar realidades, movimentar economias e fortalecer identidades locais. No Caparaó, essa transformação já pode ser percebida de forma concreta.

Historicamente reconhecida pelas belezas naturais, pelo turismo de montanha e pela hospitalidade, a região vive hoje um movimento de ampliação da sua vocação turística. E os festivais têm papel central nesse processo. Mais do que atrair visitantes durante alguns dias, eles ajudam a construir uma narrativa sobre o território, despertando o interesse de novos públicos e ampliando a permanência do turista na região.

O Festival de Inverno de Guaçuí (FIG) nasceu justamente dessa compreensão: a de que cultura, entretenimento e turismo caminham juntos. Ao longo dos anos, o evento deixou de ser apenas uma programação musical para se consolidar como uma experiência capaz de movimentar diferentes setores da economia local. 
Show de Paulo Ricardo durante o 2º Festival de Inverno de Guaçuí LEANDRO FIDELIS/ASSCOM FIG
Hotéis, pousadas, restaurantes, cafeterias, produtores rurais, comerciantes, motoristas, equipes de eventos e pequenos empreendedores passam a integrar uma cadeia que se beneficia diretamente da circulação de pessoas durante o festival.

Mas o impacto vai além da economia imediata. Eventos culturais têm a capacidade de gerar pertencimento, autoestima e valorização regional. Quando milhares de pessoas escolhem o Caparaó como destino para viver uma experiência cultural, elas também passam a conhecer a gastronomia local, os atrativos turísticos, os produtos regionais e a identidade da nossa gente. Isso fortalece a imagem da região e amplia sua visibilidade no cenário nacional.

O FIG 2026 simboliza bem essa evolução. Inspirado na atmosfera de Las Vegas, o festival aposta em uma experiência imersiva, reunindo música, gastronomia, cenografia temática e ativações interativas. Ao trazer nomes como Alexandre Pires, Paulo Ricardo e Almir Sater, além do tributo oficial aos Mamonas Assassinas, o evento amplia seu alcance e atrai públicos diversos, vindos de diferentes estados. Ao mesmo tempo, valoriza artistas capixabas e cria espaço para que a cultura regional dialogue com grandes produções nacionais.

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Outro ponto importante é o impacto no calendário turístico. Realizado durante o feriado de Corpus Christi, o festival contribui para reduzir a sazonalidade do turismo, estimulando a ocupação da rede hoteleira e fortalecendo o fluxo de visitantes em um período estratégico para a economia local. Esse movimento gera oportunidades não apenas durante os dias do evento, mas também no médio e longo prazo, à medida que novos turistas passam a incluir o Caparaó em seus roteiros futuros.

Desenvolver o turismo regional exige investimentos em infraestrutura, promoção e experiências que criem conexão com o público. E os festivais cumprem exatamente esse papel: transformam destinos em vivências memoráveis. No caso do Caparaó, eles ajudam a mostrar que a região tem potencial não apenas como refúgio de natureza, mas também como polo de cultura, entretenimento e grandes encontros.

Quando um festival cresce com a cidade e com a região, todos avançam juntos. É assim que eventos culturais deixam de ocupar apenas alguns dias do calendário e passam a fazer parte do desenvolvimento de um território inteiro.
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