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Artigo de Opinião

Trabalho em conjunto

Forças-tarefas devem entrar na cultura da segurança pública brasileira

No Brasil, temos mais de 60 mil homicídios por ano. Não nos faltam motivos para mudarmos nossa cultura

Publicado em 22 de Abril de 2019 às 21:07

Publicado em 

22 abr 2019 às 21:07
Ministro da Justiça Sergio Moro
Eugênio Ricas*
Conforme amplamente divulgado, recentemente os EUA receberam a visita do ministro da Justiça, Sergio Moro, e do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. A visita propiciou a oportunidade de visitarmos algumas unidades policiais americanas, merecendo destaque para aquelas que trabalham sob o regime de força-tarefa, ou seja, inúmeras agências no mesmo local, compartilhando informações, experiências e, sobretudo, confiança.
Após o 11/09, os americanos sentiram a necessidade de maior cooperação e compartilhamento de informações. Criaram, então, na região de Washington, o National Targeting Center (NTC), um centro gigantesco, administrado pela Customs and Boarder Protection, que abriga centenas de profissionais oriundos dos mais diversos órgãos e países, com o intuito de controlar e investigar a entrada de pessoas e cargas nos EUA. O trabalho desenvolvido é sensacional!
Em Nova York, pudemos conhecer outros bons exemplos. As JTTF, ou Forças-Tarefas Conjuntas do FBI (para combate ao terrorismo), são pequenas células, espalhadas por 104 cidades americanas, compostas por investigadores de dezenas de agências policiais e de inteligência dos EUA, que compartilham, diuturnamente, informações para alcançar seus objetivos com eficiência.
Ainda em NY, visitamos a El Dorado, força-tarefa formada por mais de 260 membros, de mais de 55 órgãos policiais, que têm como missão combater a lavagem de dinheiro e os crimes financeiros. Além do trabalho de compartilhamento de informações e investigações em conjunto, os agentes da força-tarefa educam o setor financeiro privado para identificar e eliminar vulnerabilidades e promover o combate à lavagem de dinheiro, por meio de treinamento e outros programas de extensão.
Por fim, visitamos a chamada NCFTA (Aliança Cibernética e de Treinamento Nacional), que é uma parceria sem fins lucrativos entre a indústria privada, o governo e a academia, com o propósito de criar um ambiente confiável e neutro que permita a cooperação para identificar e combater os crimes cibernéticos. Foi uma overdose de trabalho em cooperação!
No Brasil, ainda engatinhamos nessa área. Bons exemplos de trabalho em força-tarefa podem ser vistos aqui ou acolá, mas o modelo, infelizmente, ainda não entrou na cultura da segurança pública brasileira. Os ataques de 11/09, nos EUA, mataram cerca de três mil pessoas e foram decisivos para a mudança da cultura do país. No Brasil, temos mais de 60 mil homicídios por ano, ou seja, quase dois 11/09 todos os meses. Não nos faltam motivos para mudarmos nossa cultura!
*O autor é delegado federal, adido da PF nos EUA, mestre em Gestão Pública pela Ufes
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