
Gutman Uchôa de Mendonça*
Uma das mais antigas marcas de fabricação de automóveis do mundo anunciou que vai deixar o Brasil. Ao governo paulista cabe encontrar um comprador para as instalações da unidade.
Vários foram os motivos anunciados como motivadores da saída da empresa do país, sendo o primeiro o corte de 10% de incentivos fiscais que o governo Bolsonaro já anunciou para todas as montadoras (o Brasil não tem fábrica de automóveis); o segundo motivo seria a igualdade de lucros industriais com obrigações sociais e impostos. Com isso, onde não se obtém lucro, perde-se o entusiasmo pelo trabalho.
A terceira questão reside num problema mais sério: a Ford tem, comprovadamente, nada menos do que 2.402 ações trabalhistas em andamento. Se cada mês tem, em média, 20 dias úteis, se forem marcadas uma audiência trabalhista por dia, seriam necessários cerca de dez anos para os advogados da empresa conseguirem defender a montadora. Isso sem falar nas outras ações que com certeza virão.
As autoridades brasileiras desconhecem como funcionam as empresas americanas. Não é possível haver uma ação de trabalhador sem solução por mais de 30 dias. Não existe Justiça Trabalhista no mundo. Isso pode afugentar investidores estrangeiros no Brasil. Possuímos inúmeras obrigações fiscais e uma enorme máquina burocrática, centenas de empresas estatais e um campo fértil para corrupção.
Além das questões trabalhistas, as empresas também lidam com desastres ambientais. Em cerca de três anos, vimos duas monstruosas tragédias, com os rompimentos das barragens de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, este ano. Há várias décadas, as mineradoras acumulam rejeitos em imensas lagoas, provenientes da grande exploração em nosso território. Não era impossível que algum dia alguma dessas represas pudesse se romper.
Diante disso tudo, eu quero saber se o Brasil tem jeito com essa gente no poder.
*O autor é jornalista