Pouca coisa mudou mais no século XX do que a noção de autoridade. Entre os anos de 1900 e 2000, toda a estrutura tradicional de autoridade ruiu no mundo ocidental. Os maridos no século XIX estavam casados para sempre. O mesmo na relação de pais e filhos – eram a tradição e o respeito que faziam funcionar a autoridade paterna.
Nas empresas era a mesma lógica. No início do século XX, o Brasil acabava de sair da escravidão, as relações de trabalho ainda se ressentiam da autoridade dos coronéis e da subserviência, sobretudo no mundo rural, que dominava a sociedade.
Entretanto, essa realidade foi mudando. Lentamente, nossos elementos passaram a ser os vínculos objetivos dos vários grupos sociais. No caso da família, é o amor que permite o exercício da autoridade. A tradição foi cedendo lugar ao afeto, ao respeito e à autonomia.
O mesmo se deu no mundo do trabalho. Novos padrões de relacionamento foram construindo novos padrões de autoridade. Um novo fenômeno passou a existir também no mundo empresarial: o esgotamento do modelo de um Estado que concentrava todo o poder e a autoridade, quando, há algumas décadas, bancava os planos de desenvolvimento.
No mundo dos negócios hoje há um desejo de autonomia, uma vontade dos jovens de talento se livrarem das autoridades tradicionais nas empresas e construírem seus próprios caminhos. Mas não apenas varrer a autoridade tradicional é a palavra de ordem. Livrar-se das velhas amarras dos empreendimentos vinculados aos velhos padrões dos governos também é importante.
Da junção desses dois desejos de autonomia – empresas sem os velhos chefões e negócios livres das amarras públicas – nasceu o novo conceito de empreender. Empreender para ser livre, para ganhar um dinheiro com o qual seus pais nem sequer sonhavam.
Nas sociedades tradicionais, todos eram governados pelo passado. Isso acabou. Agora é ajudar a construir, é chegar junto, é respeitar a autoridade que nasce das novas soluções. Somos uma sociedade governada pelo futuro. O passado passou. Um novo líder se define por sua capacidade de enxergar o futuro, de não se apegar a qualquer tradição e nem querer impor suas ideias. Tem que conquistar os corações com diálogo e participação.
Liderar não é mais ser chefão, é participar das soluções. O primeiro passo é abrir o diálogo para ter uma solução do agrado de todo grupo. É valorizar novas ideias, nova propostas. É construir junto.
*O autor é empresário da área de comunicação, publicitário e lidera uma rede formada por cinco empresas