O recente aumento do fundo eleitoral aprovado pela Comissão Mista de Orçamento, que prevê R$ 4,9 bilhões para o financiamento de campanhas em 2026, evidencia uma mentalidade individual e imediatista que infelizmente ainda guia boa parte de nossos congressistas.
Essa postura, voltada mais para a manutenção de interesses políticos do que para o desenvolvimento coletivo, representa um risco silencioso ao futuro do Brasil, algo que a população já está cansada de saber. Uma nação não se destrói apenas por crises econômicas ou por instabilidade externa, mas quando suas lideranças priorizam ganhos próprios em detrimento do investimento em educação, inovação, infraestrutura e qualidade de vida para a sociedade.
Simon Sinek, em seu livro “O Jogo Infinito”, traz uma reflexão poderosa sobre o papel da liderança na construção de organizações e sociedades. Ele diferencia a liderança finita, aquela que enxerga apenas metas imediatas, mandatos, números de curto prazo ou ganhos pessoais — exatamente o que vemos quando políticos buscam ampliar benefícios próprios sem medir o impacto coletivo. Esse tipo de visão pode até gerar resultados momentâneos, mas mina a confiança e corrói a sustentabilidade do sistema. Em contrapartida, a liderança infinita é aquela que entende que o verdadeiro jogo não tem fim, pois o objetivo não é “vencer” uma eleição ou acumular vantagens, mas sim perpetuar valores, fortalecer instituições e criar prosperidade para as próximas gerações.
Um contraste marcante pode ser visto na Suíça, país reconhecido pela prosperidade e estabilidade. Em 2017, a população suíça foi chamada a decidir em um plebiscito se aceitaria receber mensalmente uma renda básica incondicional, uma espécie de aporte individual financiado pelo Estado. Mais de 75% da população rejeitou a proposta, entendendo que os recursos públicos deveriam ser aplicados em investimentos coletivos, e não em benefícios imediatos e individuais. A decisão demonstrou uma mentalidade empreendedora, voltada para o longo prazo e para o fortalecimento da nação como um todo.
Enquanto os suíços recusam atalhos fáceis, o Brasil insiste em repetir práticas que drenam recursos e enfraquecem a confiança institucional. A diferença está na mentalidade. É preciso compreender que mentalidade é destino. Uma sociedade que aceita decisões imediatistas limita seu futuro, enquanto uma sociedade que escolhe a responsabilidade constrói prosperidade sustentável.
O aumento do fundo eleitoral deveria servir como alerta: só teremos progresso quando aprendermos a dizer não a soluções que parecem fáceis, mas apenas reforçam velhos vícios, e sim a escolhas que exigem responsabilidade, mas constroem legado para as próximas gerações.