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Léo de Castro

Artigo de Opinião

Economia

Mesmo na crise, devemos reinventar a indústria brasileira

Não é possível perseguir o equilíbrio fiscal no meio de uma pandemia, que exige ampliação dos gastos públicos, mas a agenda de reindustrialização pode e deve prosseguir com a desburocratização e as reformas administrativa e tributária
Léo de Castro

Publicado em 25 de Maio de 2020 às 11:35

Publicado em 

25 mai 2020 às 11:35
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No Espírito Santo, o setor industrial representa 22% do PIB Crédito: pixabay/MustangJoe
A indústria brasileira enfrenta hoje duas grandes crises simultâneas: a da pandemia de coronavírus, que é conjuntural, atinge todos os setores e vai passar, e a crise estrutural de competitividade, que começou nos anos 80 e não é passageira. Nessa época a indústria começou a ser sufocada por burocracia, elevação da carga tributária, juros altos e câmbio apreciado.
O processo de desindustrialização do país poderia ser revertido pela política econômica do governo atual, que foi atropelada pela pandemia, como tudo mais. Precisamos agora nos preparar para retomar essa agenda, de ajuste fiscal, redução sustentada dos juros e câmbio mais justo, além de privatizações e reformas estruturais, para reindustrializar o Brasil, o quanto antes.
No final dos anos 80, a indústria de transformação (que exclui a indústria extrativa) representava perto de 30% do PIB. Hoje ela está em 11%, ante uma média internacional de 16%, e abaixo de países como México (17%) e Coreia do Sul (27%).
A situação é especialmente grave quando se constata que a indústria é o setor que paga os maiores salários e responde pela maior fatia do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (72,2%). O salário médio do trabalhador brasileiro com ensino superior é R$ 5,7 mil. Na indústria, é R$ 7,6 mil.
Em outras palavras: os países mais ricos e desenvolvidos e que mais investem em pesquisa são também os mais industrializados. Não é coincidência. No Espírito Santo, o setor industrial representa 22% do PIB e responde por 92% das exportações, gerando cerca de 200 mil empregos.
Em evento na CNI no final do ano passado, o secretário de Produtividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, que já esteve no Espírito Santo em encontro da Findes, observou, sobre o histórico de desindustrialização: “O desequilíbrio fiscal e o gigantismo de um Estado ineficiente fez com que o governo fugisse para a inflação alta ou juros altos, que estrangularam quem investe, sendo a indústria e a infraestrutura os setores que mais investem em capital físico. Apreciar o câmbio tirou a competitividade de produtos comercializados. Mais uma vez a indústria foi a principal vítima. A elevação da carga tributária de 22% para mais de 34% do PIB também fez mais uma vez a indústria de alvo, já que é mais fácil taxar quem está parado”.
Não é possível perseguir o equilíbrio fiscal no meio de uma pandemia, que exige ampliação dos gastos públicos, mas a agenda de reindustrialização pode e deve prosseguir com a desburocratização, as reformas administrativa e tributária, os novos marcos regulatórios do licenciamento ambiental, do gás e do saneamento básico.
Neste dia 25 de maio, segunda-feira, comemoramos o Dia da Indústria, instituído pelo presidente JK em 1957. O momento deve servir para reflexão sobre esta grave crise que é, também, uma oportunidade. A pandemia vai passar, mas não podemos esperar: devemos, mesmo na crise, nos mobilizarmos para tocar aquela agenda e reinventar a indústria brasileira.
O autor é presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes)
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