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Thamires Monteiro

Artigo de Opinião

É advogada especialista em Direito de Família
Thamires Monteiro

Não basta homenagear mães solo. É preciso apoiá-las

É preciso ter coragem para dizer: a figura do “pai ausente” ainda encontra menos reprovação do que deveria
Thamires Monteiro
É advogada especialista em Direito de Família

Publicado em 10 de Maio de 2026 às 11:00

Publicado em 

10 mai 2026 às 11:00

Existe algo que a sociedade naturalizou, e que precisa ser dito com todas as letras: no Brasil, a maternidade ainda é tratada como responsabilidade quase exclusiva das mulheres.

É justamente nessa lógica que as mães solo são empurradas para uma rotina de sobrecarga constante, enquanto a ausência paterna segue, muitas vezes, tolerada, relativizada ou até invisibilizada.

No Espírito Santo, os números escancaram essa realidade. Quase metade dos lares é chefiada por mulheres, e uma parcela significativa dessas famílias é formada por mães que criam seus filhos sozinhas. Não estamos falando de casos isolados. Estamos falando de um padrão, que revela abandono financeiro, afetivo e, sobretudo, socialmente aceito.

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É preciso ter coragem para dizer: a figura do “pai ausente” ainda encontra menos reprovação do que deveria. Enquanto isso, mulheres são cobradas a dar conta de tudo, trabalhar, cuidar, educar e proteger, como se fossem naturalmente responsáveis por suprir todas as ausências.

A legislação brasileira é clara ao estabelecer que a responsabilidade pelos filhos é compartilhada. Mas o que acontece quando essa regra não sai do papel? Quando a pensão não é paga, quando o cuidado não é dividido, quando a presença simplesmente não existe? A resposta tem nome e rosto: mães exaustas.

Exaustas de jornadas duplas e triplas. Exaustas de negociar horários impossíveis. Exaustas de sustentar, sozinhas, não só a casa, mas também o equilíbrio emocional dos filhos. E, muitas vezes, exaustas de justificar o injustificável, a ausência de quem também deveria estar ali.

“Naquela Noite” acompanha a história de uma mãe solo que, após atropelar um homem, tenta esconder o ocorrido para não perder a guarda do filho (Imagem: Reprodução digital | Netflix)
“Naquela Noite” acompanha a história de uma mãe solo que, após atropelar um homem, tenta esconder o ocorrido para não perder a guarda do filho Imagem: Reprodução digital | Netflix

Os desafios jurídicos aparecem quando a mulher precisa regularizar essa situação, seja para buscar o reconhecimento de paternidade, garantir a pensão alimentícia ou regulamentar a convivência. É um processo que exige informação, acesso à Justiça e perseverança.

E não se trata apenas de uma questão privada, é um problema social. Quando o poder público falha em garantir acesso a creches, quando não há políticas eficazes de apoio à renda e quando a cobrança da pensão alimentícia não funciona como deveria, o recado que se transmite é claro: essas mulheres estão por conta própria.

Responsabilidade parental não é opcional. Paternidade não é figurativa. E presença não pode ser tratada como favor. Enquanto continuarmos tratando a sobrecarga das mães como algo “normal”, estaremos perpetuando uma estrutura desigual, que penaliza mulheres e impacta diretamente o desenvolvimento de crianças.

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