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Artigo de Opinião

Luan Sperandio

No Brasil, 85% dos empreendedores não têm empregados

Enriquecer, ter horário flexível e tirar férias ainda é sonho distante da maioria daqueles que tiveram de empreender para fugir do desemprego

Publicado em 14 de Junho de 2019 às 19:06

Publicado em 

14 jun 2019 às 19:06
Crédito: Pixabay
Luan Sperandio*
No imaginário de muita gente empreender é enriquecer, ter horário flexível, não ter de seguir ordens de ninguém, decidir as próprias metas e escolher quando tirar férias. A realidade, porém, é bem diferente.
Segundo pesquisa de 2013 do Sebrae, antes da Grande Recessão Brasileira e, portanto, quando havia uma situação mais favorável, 66% dos empreendedores tinham renda inferior a 2 salários mínimos, o que os enquadra na categoria de “baixa renda”. Os rendimentos de 35% foram inferiores a um salário mínimo. Para efeitos de comparação, é menos do que a média salarial entre os celetistas, de R$ 2.033, e muito inferior aos rendimentos médios do setor público federal: de acordo com o Ipea, a remuneração dos servidores do Judiciário em 2016 foi de R$ 15,4 mil, no Legislativo, R$ 12,9 mil e no Executivo R$ 8,1 mil.
De acordo com o DataSebrae, 85% deles não têm empregados, 44% estudaram no máximo sete anos, sendo que 83% deles começaram a trabalhar antes dos 17 anos de idade.
A crise levou milhões de brasileiros a buscarem alguma atividade para conseguir colocar comida na mesa, com o empreendedorismo de necessidade chegando a 44% em 2015.
51% simplesmente não tiram férias, segundo levantamento da CDL. Apenas 3% deles usufruem de quatro semanas de descanso por ano, como os trabalhadores com carteira assinada. 43% deles trabalham dez horas por dia e um terço trabalha mais de 49 horas por semana, enquanto a jornada média semanal dos trabalhadores celetistas é de 40,2 horas. A falta de descanso é fácil de ser entendida: para a maioria, não trabalhar significa não ter comida na mesa.
Se acaso as coisas derem errado na empresa, o empregado ao menos terá acesso a seu FGTS e possibilidade de receber o seguro-desemprego por até 5 meses. A maioria dos empreendedores que conhecem a falência, contudo, precisa arcar com seu próprio patrimônio para quitar as dívidas decorrentes da atividade empresarial, podendo perder o conquistado ao longo de toda uma vida.
Segundo levantamento de Stephen Kanitz, a margem de lucro das 500 maiores empresas no Brasil foi de cerca de 2% em 2017. Isso significa que elas precisam trabalhar até 29 dias por mês apenas para cobrir os custos operacionais, registrando lucro apenas nas últimas horas. Já o sócio indesejado, o Estado, “lucra” – a título de impostos – mais de 30% do faturamento de 32% dos donos de micro e pequenas empresas no Brasil. Há quem considere empreender como exploração; as evidências mostram que é heroísmo.
*O autor é graduando em Direito pela Ufes e editor do Instituto Mercado Popular
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