O Dia Internacional do Meio Ambiente é comemorado em 5 de junho em homenagem à data de início da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972. O Brasil teve uma participação modesta. O chanceler Mario Gibson Barbosa nem sequer menciona a conferência em seu livro de memórias. Mas Estocolmo-72 assentou o meio ambiente na agenda das relações internacionais, embora não resolvesse as diferenças de visões entre países industrializados e em desenvolvimento.
No final dos 80, depois de 21 anos de governos militares, a imagem externa do Brasil estava deteriorada. Denúncias de afrontas à democracia, infrações de direitos humanos e incêndios na Amazônia eram repercutidas pela imprensa internacional. O Itamaraty iniciou então um amplo trabalho de construção de uma “agenda positiva”.
O embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima foi o articulador do esforço de convencimento da opinião pública mundial sobre os avanços que a Constituição cidadã imprimia em todos os setores da vida nacional. Um dos trunfos de nossa estratégia foi o oferecimento para hospedar no Rio, em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.
Os números da Rio-92 foram extraordinários. Hospedamos delegações de 172 países, 108 das quais chefiadas por chefes de Estado ou de governo. Vieram ao Riocentro cerca de 10 mil jornalistas e representantes de 1.400 organizações não governamentais, enquanto, em evento paralelo, o Fórum Global reunia 7 mil ONGs.
Um sucesso, que deixou para o Brasil dois marcantes legados: a recuperação de nossa boa imagem internacional e a conscientização de que o cuidado com o meio ambiente é não só uma responsabilidade como uma conquista civilizatória, que permite planejar o desenvolvimento econômico a longo prazo e contribui para a superação da dívida social.
Passaram-se os anos, e parece que essas lições foram esquecidas. De novo, a percepção externa do Brasil é dilacerada por erros cometidos pelo governo e por nós mesmos. Durante dois anos seguidos somos os campeões mundiais do desmatamento. Em 2019, o Brasil, sozinho, foi responsável por um terço do desflorestamento mundial.
Ninguém sabe quando a pandemia vai terminar, mas temo que dela sairemos com a imagem em frangalhos, precisando como nunca de uma agenda positiva, que será, no entanto, e infelizmente, impossível de construir com esse ministro do Meio Ambiente e com essa turma esquisita que hoje chefia o Itamaraty.
O autor é embaixador aposentado, secretário de Meio Ambiente de Vila Velha