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Artigo de Opinião

O Brasil não é um país racista?

Os pensadores que adquiriam conhecimento produzidos na Europa sistematizaram ao modo daqui um conhecimento racista que tomou forma de ciência

Publicado em 05 de Fevereiro de 2019 às 19:50

Publicado em 

05 fev 2019 às 19:50
Jônatas Corrêa Nery*
Durante muito tempo se afirmou que o Brasil não era um país racista. Crença sustentada por uma visão tacanha, que buscava dissimular a violência das relações raciais existentes desde o período colonial. Isso se modificou de forma significativa, mas ainda há resquícios. Perdura a ideia de que a raça não explica nada. O argumento principal é que não somos os Estados Unidos da América.
Importante: a ideia de racismo é relativamente nova, de meados século XX. A de raças, um pouco menos. Hannah Arendt indica quando e o porquê do seu surgimento. Para ela, o Conde Gobineau foi um dos primeiros a dizer: a razão da decadência das nações era a mistura de raças; dizia que os “puros” deveriam conduzir a nação. Posteriormente, as ideias racialistas se diversificaram.
Os pensadores brasileiros que se graduavam ou adquiriam conhecimento produzidos na Europa sistematizaram ao modo daqui um conhecimento racista que tomou forma de ciência. Vale falar de João Batista de Lacerda e de Oliveira Vianna. O primeiro, médico brasileiro representante do Governo do Brasil, no Congresso Universal de Raças, Londres, em 1911, defendeu que em 100 anos, pela miscigenação, o país estaria livre de negros.
O segundo, renomado intelectual dizia que os negros eram uma raça inferior, e, portanto, a imigração europeia era fundamental, a raça mais forte prevaleceria: um extermínio pacífico.
Em poucos anos cresceu o incentivo do Estado brasileiro à imigração europeia, demonstrando que esses intelectuais estavam de acordo com o Brasil acerca da questão racial. Portanto, o racismo científico brasileiro foi financiado oficialmente. A política do final da escravização até o primeiro quarto do final século XX era deixar morrer.
Percebemos que o pensamento mundial e o brasileiro acerca da questão estavam alinhados; falar algo sem considerar isso, parece-nos, puro achismo. É difícil acreditar que uma ideia construída durante séculos, seja simplesmente apagada pela força da lei; de forma idêntica é impossível dizer que as desigualdades sociais atuais não sejam herança e perpetuação do passado.
*O autor é Coordenador de Comunicação do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe; bacharel em Ciências Econômicas pela Ufes, mestrando em Política Social (Ufes) e acadêmico de Serviço Social (Ufes)
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