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Guilherme Cogo

Artigo de Opinião

Guilherme Cogo

O Enem precisa ser novamente adiado

Por mais que haja a obrigatoriedade do uso de máscara e disposição de álcool em gel, é evidente que medidas não são suficientes
Guilherme Cogo

Publicado em 15 de Janeiro de 2021 às 13:00

Publicado em 

15 jan 2021 às 13:00
Provas do Enem serão aplicadas para mais de 5,7 milhões de pessoas
Provas do Enem começam no próximo domingo (17) Crédito: Agência Brasil
A Covid-19 é um fenômeno desolador que tem afetado todo o mundo. No Brasil, além de não ter sido diferente, o país através do governo federal teve a proeza de fazer tudo errado, desde a gestão da crise em termos políticos até no âmbito da saúde pública e educacional. Somos o terceiro país do mundo em número de casos, atrás dos EUA e da Índia - que possui população 6 vezes maior do que a brasileira - e somos o segundo país em número de mortes, atrás apenas dos EUA, e ultrapassamos a marca de 200 mil óbitos por essa nefasta doença.
Muitos desses óbitos poderiam ter sido evitados por uma interferência do Estado promovendo o distanciamento social e dando condições reais para que ocorresse o lockdown, garantindo renda, executando políticas públicas de prevenção e programação para a vacinação no território nacional. Entretanto, isso não é algo que deveria nos deixar perplexos já que Bolsonaro há 30 anos demonstra toda sua rispidez, agressividade e um desejo pela morte e destruição através da implementação de um estado suicidário.
Desta maneira, o Estado não é apenas o gestor da morte. Ele é o ator contínuo de sua própria catástrofe, ele é o cultivador de sua própria explosão. Assim, o Estado suicidário é a mistura da administração da morte de setores de sua própria população e do flerte contínuo e arriscado com sua própria destruição, diz Vladimir Safatle no ensaio intitulado "Bem-Vindo ao Estado Suicidário". Portanto, percebemos que existe um método que é o da destruição e não importa o fim e nem a destruição do que e de quem. Pode ser do Estado como um todo, de sua estrutura, de seu povo ou de tudo ao mesmo tempo. O objetivo é um: destruir!
Com isso, a manutenção do Enem é colocar cerca de 6 milhões de pessoas num corredor estreito de aniquilação. E fazer isso de uma maneira desnecessária já que o primeiro semestre de 2021 nas universidades federais, por exemplo, começará em junho, como na Ufes. Vale ressaltar que o exame nacional do ensino médio seria realizado em novembro de 2020, e mesmo com uma pesquisa na qual os estudantes optaram por maio de 2021,  o MEC marcou as provas  para 17 e 24 de janeiro, com  a versão digital  realizada em 31 de janeiro e 7 de fevereiro.
A insegurança de manutenção da prova não é apenas porque estamos à deriva no meio da pandemia catastrófica, mas também porque estamos presenciando um exacerbado aumento do número de infecções e que é impossível adotar prevenções para evitar a contaminação.
Não há nenhuma situação segura para o Enem ocorrer nesta data, principalmente considerando que, de acordo com o presidente do INEP, para a execução da prova não terá nenhum plano de contingenciamento de transmissão para as localidades com maior número de casos e com indicativo de aumento de infectados.
Por esses motivos torna-se insustentável a permanência do exame em janeiro. Por mais que haja a obrigatoriedade do uso de máscara e disposição de álcool em gel é evidente que não são medidas suficientes.
Assim, faz-se necessário que haja uma política consistente para deixar evidenciado aos estudantes o planejamento para a prova e qual o projeto educacional, entretanto o governo de Jair Bolsonaro não tem política consistente e projeto educacional. Ele não possui proposta e não sabe do que é a favor. Ele sabe do que ele é contra e o que quer destruir.
Faz-se urgente a realização do processo de vacinação que deve ser acelerado para retirar parte da angústia do povo brasileiro que vem crescendo em conciliação com a enorme desigualdade e com o retorno ao mapa da fome. Por fim, é preciso adiar o Enem e retirar Jair Bolsonaro da presidência para melhorar a vida do povo brasileiro e frear a quantidade enorme de vidas perdidas.
O autor é sociólogo e mestrando em Política Social pela Ufes
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