A cada 8 de março, as mulheres e as meninas trazem à tona questionamentos sobre a hipocrisia em torno das homenagens que recebem apenas nesta data. Em todos os dias do ano, o gênero feminino é o principal alvo da violência e da desigualdade. Em resposta, trabalhadoras em todo o mundo se organizam cada vez mais pela defesa de seus direitos.
Em 2017 e 2018, elas organizaram uma greve internacional com adesão de mais de 40 países, com o lema “Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”. As mulheres já são metade da classe operária, e as mulheres negras estão mostrando que são linha de frente de vários processos de luta.
Considerada por muitos apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativos, ela não foi criada pelo comércio, e tem raízes históricas mais profundas e sérias. Oficializado pela ONU em 1975, o chamado Dia internacional da Mulher é comemorado desde o início do século XX.
Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros “dias das mulheres” que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York. Esse dia tem importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero insiste em permanecer.
Certamente, o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial. Temos evoluído nestes temas. Antes, se escondiam todas estas mazelas entre quatro paredes.
Neste ano, o Dia Internacional das Mulheres terá como tema “Eu sou a Geração Igualdade: concretizar os diretos das mulheres”. Apesar de alguns progressos, as mudanças reais têm sido lentas para a maioria das mulheres e meninas em todo o mundo. Hoje nenhum país pode afirmar ter alcançado a igualdade de gênero.
Vários obstáculos permanecem inalterados na lei e na cultura. Mulheres e meninas continuam subvalorizadas; elas trabalham mais e ganham menos e têm menos opções; e experimentam múltiplas formas de violência em casa e em lugares públicos. 2020 representa uma oportunidade imperdível de mobilizar ações globais para alcançar a igualdade de gênero e os direitos humanos para todas as mulheres e meninas.
*O autor é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-IHGVV e diretor no IHGES