As incidências dos homicídios no Brasil ao longo de 40 anos impactam gravemente o cenário nacional. Esse ápice delitivo é alvo permanente de todas as arquiteturas a serem delineadas para sua mitigação.
Este artigo traz breve análise de alguns devaneios e aspectos concretos que circundam essa temática absolutamente necessária para a sociedade e o poder público.
Acerca dos devaneios, repousemos aqui questões lógicas a serem enfatizadas: é possível de forma concreta entrar na mente de alguém e chegar ao momento certo da ocorrência do delito?
Absolutamente não. Mas é o que parece permanecer no meio policial. A imprensa pauta as polícias por conta dos aumentos dos homicídios, e estas permanecem pressionadas a oferecerem respostas quase cabalísticas a um evento com múltiplas variáveis que não estão sob seus controles.
Outra questão se depreende: é possível as polícias forjarem o caráter moral de cada cidadão ou lapidar suas formações familiares e seus relacionamentos interpessoais degradados e inóspitos?
Outro devaneio que, por óbvio, não há o menor sentido. Então diante desses imensos abismos, emerge um ensaio: as incidências ocorrem aleatoriamente num contexto de relacionamentos interpessoais altamente conflituosos, degradados, em ambientes herméticos e fora do alcance da polícia.
Mas a polícia não tem culpa? É essa a pauta que inferniza os gestores policiais no país. Por um lado estudiosos reconhecem ser a segurança pública assunto multissetorial, entretanto, recorrentes investidas da imprensa repousam suas culpabilizações nas agências policiais.
A racionalidade dessas cobranças passa longe desse debate, culminando num ambiente de altíssima desinformação quanto às causas mais profundas desse grave problema.
Ações concretas para mudar esse cenário estariam principalmente focadas em várias direções em longo prazo, não somente às forças policiais (como acentua Marcos Rolim na fábula “Procurando antes da correnteza” – as causas da criminalidade). "Diante da complexidade, a fuga, e mais uma vez a simplificação", como dizia o Dr. Coronel Jorge da Silva.
Para que buscar respostas? A vida é dinâmica e requer ações fáceis e rápidas. Parece não haver mais etapas a seguir. Os atuais tempos exigem soluções rápidas que interfiram nos comportamentos individuais, associadas a um arcabouço legal garantista e permissivo. Sem falar nas armas de fogo ilegais apreendidas diariamente nas mãos de indivíduos com extensas fichas criminais, considerados afiançáveis na contramão de um volume de letalidades cometidas em sua maioria por esse tipo de instrumento.
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Mesmo após tantas explicações: "Mas, então, o que vocês estão fazendo mesmo para conterem as incidências de homicídios? Há uma onda de crimes, por onde anda a polícia?"
É uma busca desenfreada à procura de "salvadores da pátria", contexto favorável ao aparecimento de oportunistas que jamais resolverão o problema.
E o jogo continua. É de enlouquecer qualquer um!