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Isa Colli

Artigo de Opinião

É jornalista e escritora
Isa Colli

Papa Francisco: símbolo de resistência espiritual num tempo de incertezas

Num tempo em que tantas vozes se erguem para dividir, o Papa Francisco insistiu na fraternidade
Isa Colli
É jornalista e escritora

Publicado em 22 de Abril de 2025 às 16:16

Publicado em 

22 abr 2025 às 16:16
Cidade do Vaticano, 21 de abril de 2025 – A manhã desta segunda-feira (21) amanheceu mais silenciosa. Às 07h35 (hora local), o mundo despediu-se de uma das figuras mais emblemáticas da história recente da Igreja Católica: o Papa Francisco faleceu aos 88 anos, no Vaticano, deixando um legado de fé, simplicidade e amor pelos esquecidos da Terra.
Primeiro papa jesuíta, primeiro sul-americano e o primeiro a adotar o nome de Francisco — em homenagem ao poverello de Assis —, Jorge Mario Bergoglio transformou a forma como o mundo via o papado. Ele quebrou protocolos, desceu ao encontro dos pobres, abraçou migrantes e denunciou, com coragem, as desigualdades sociais e ambientais. Seu lema, “Miserando atque eligendo” ("Olhou-o com misericórdia e escolheu-o"), foi vivido em cada gesto de sua jornada.
Como autora, como mulher sensível às dores do mundo e às causas da justiça, sinto profundamente essa partida. Francisco não foi apenas um líder religioso. Foi um símbolo de resistência espiritual num tempo de incertezas, um pastor que falava de misericórdia quando o mundo gritava por vingança, que clamava por diálogo enquanto cresciam os muros da intolerância.
Durante seu pontificado, Francisco visitou 67 países — incluindo Portugal, onde tocou corações na JMJ de Lisboa em 2023 e, antes disso, em Fátima, no centenário das aparições. Criou mais de 160 cardeais e convocou sínodos fundamentais para o futuro da Igreja. Deu voz aos povos da Amazônia, aos jovens, às famílias e, com humildade e firmeza, enfrentou escândalos e dores internas da instituição.
Foi o papa da Laudato Si’, uma encíclica que me tocou profundamente e que reverberou entre ambientalistas, líderes sociais e todos os que, como eu, acreditam que cuidar da Terra é um ato de amor ao próximo. Ele uniu fé e ciência, tradição e inovação. Falou com ternura dos avós e nos lembrou, sempre, de que os pobres devem estar no centro de toda decisão política e eclesial.
Num tempo em que tantas vozes se erguem para dividir, o Papa Francisco insistiu na fraternidade. Foi construtor de pontes, mensageiro de paz. Seu encontro histórico com o imã de Al-Azhar em Abu Dhabi, em 2019, é apenas um dos muitos momentos em que tentou costurar os pedaços de um mundo fragmentado.
Papa Francisco Vaticano
Papa Francisco no Vaticano Crédito: Divulgação
Agora, o mundo está de luto. Mas também é dia de gratidão. Obrigada, Papa Francisco, por ensinar com gestos. Por lembrar, com seu exemplo, que o Evangelho é ação concreta, é escolha diária pelos últimos, pelos invisíveis.
Que sua alma encontre descanso no infinito amor do Deus Uno e Trino. E que nós, inspirados por sua vida, sigamos construindo um mundo mais justo, mais humano e mais fraterno — como o senhor tanto sonhou.
Descanse em paz, Francisco.
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