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Artigo de Opinião

Segurança Pública

Para a sociedade, trabalho do policial nunca é bom o suficiente

Vida dos agentes se segurança é de estresse permanente, com prontidão 24x7, como em tempo de guerra. Condições adequadas de trabalho são um pré-requisito de qualquer missão bem cumprida

Publicado em 29 de Março de 2019 às 20:22

Publicado em 

29 mar 2019 às 20:22
Ação da Polícia Militar Crédito: Fernando Madeira
Henrique Geaquinto Herkenhoff*
O leitor pode haver estranhado nota publicada na coluna Leonel Ximenes dando conta, em resumo, de que os integrantes da Companhia de Operações Especiais da PM não teriam propriamente folga, como outros trabalhadores, mas pouco mais que uma autorização de sair do quartel, devendo permanecer disponíveis para convocações de última hora. Em outras palavras, prontidão 24x7, como em tempo de guerra.
Parece que depois voltaram atrás, mas é bom o leitor saber que a vida dos profissionais de segurança em geral é mais ou menos essa mesmo: você é policial 24 horas por dia, todos os dias do ano. Ainda estando de folga, é obrigado a intervir se presenciar um crime; passa todo o tempo alerta contra possíveis agressões – até porque o fato de portar uma arma ou simplesmente ser policial o torna alvo permanente. Não há força de segurança cujo hino não o lembre todas as manhãs de colocar sua vida em risco para defender a sociedade. E tem mais: quando você prende alguém, pode anotar na sua agenda que será chamado a prestar depoimento em juízo no seu dia de “folga”.
Isso significa uma situação de estresse permanente, tanto que acaba sendo naturalizado, internalizado, integrado ao modo de ser, desenvolvendo-se um ethos guerreiro, que torna o couro grosso, mas não é uma proteção completa para a saúde mental desses trabalhadores da segurança. A título de exemplo, o número de suicídios entre policiais no Brasil é quase três vezes o da população em geral.
No entanto, há outros fatores de pressão pouco notados: o policial recebe cobranças contraditórias por parte da sociedade, que não se entende quanto ao modo como se deve lidar com a violência; além disso, seu trabalho nunca é bom o suficiente, como se a ocorrência de um crime fosse culpa dele, e não dos bandidos.
Não apenas os dirigentes públicos e os superiores hierárquicos devem estar atentos, mas toda a população e os próprios profissionais, pois condições adequadas de trabalho são um pré-requisito de qualquer missão bem cumprida – sempre lembrando que todo mundo tem o direito de ser feliz. Exigências extraordinárias sobre um profissional precisam ser de algum modo compensadas por medidas preventivas e corretivas do estresse. Esse assunto só recentemente tem sido objeto de pesquisa científica e de preocupação pelos gestores, e há muito a desenvolver neste campo. Estamos atrasados e, portanto, precisamos acelerar o passo.
*O autor é professor do mestrado em Segurança Pública da UVV
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