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Gabriel Rodrigues

Artigo de Opinião

É associado trainee do Instituto Líderes do Amanhã
Gabriel Rodrigues

Penso, logo discordo: debate de ideias é essencial para evolução da sociedade

Ao abordar essa questão sob a ótica do século XXI, é praticamente impossível não a associar à recente cultura de cancelamentos em redes sociais
Gabriel Rodrigues
É associado trainee do Instituto Líderes do Amanhã

Publicado em 09 de Maio de 2022 às 15:29

Publicado em 

09 mai 2022 às 15:29
Diversidade nas empresas é uma tendência
Diferenças de opinião ajudam a fortalecer a sociedade Crédito: Pixabay
“Penso, logo existo” . Eternizado com essa frase, o filósofo e matemático René Descartes possui um legado muito mais abrangente. É atrelado ao francês, além de outras contribuições, o pensamento cartesiano que, resumidamente, prega o questionamento do status quo como uma prerrogativa para o avanço da humanidade. E, de fato, o questionamento e a curiosidade foram dois fatores cruciais para a evolução do ser humano.
Foi esse ímpeto que fez os primeiros agricultores, há milênios, buscarem formas de produzir alimentos em larga de escala. Foi esse ímpeto que levou portugueses e espanhóis, por exemplo, a buscarem terras além de seus horizontes no Atlântico, acelerando ainda mais a globalização. Foram ainda esses traços que levaram Newton a questionar diversos fenômenos naturais, tão óbvios ao cidadão comum, mas que, ao serem modelados, pavimentaram o futuro da engenharia.
Um terceiro fator, igualmente importante, potencializa o pensamento cartesiano. É graças à recorrência do questionamento que o ser humano pode aprimorar suas teorias, pois toda nova ideia eventualmente se tornará status quo. A partir desse ponto, um novo pensador pode trazer uma revolução, descartando a teoria anterior, ou ainda apenas modificá-la.
Galileu, por exemplo, descartou toda a teoria geocêntrica, amplamente aceita pela sociedade, ao apresentar seu modelo centrado no Sol. Já o republicanismo americano é um claro exemplo de discordância em torno de um ideal não revogado, uma vez que republicanos e democratas possuem um objetivo intrinsecamente igual, porém discordam quanto à maneira de implantação do mesmo.
Apesar dos exemplos citados, referentes a grandes marcos na história da humanidade, curiosidade, questionamento e discordância são elementos presentes no cotidiano de qualquer pessoa. É algo da natureza humana, está no seu âmago. Regimes de governo nunca foram uma unanimidade ao longo de milênios, mas esses três traços sempre estiveram presentes na população, mesmo em momentos de supressão da liberdade de expressão.
A própria história recente da Rússia pode exemplificar esse ponto, uma vez que, por insatisfação com o czar no início do século XX, a população russa instaurou um regime comunista. Foi novamente a discordância que trouxe fim ao regime, após anos de miséria e supressão de liberdade.
Ao abordar essa questão sob a ótica do século XXI, é praticamente impossível não a associar à recente cultura de cancelamentos em redes sociais. Recentemente, tal prática tem se tornado cada vez mais comum, fazendo com que opiniões contrárias ao que é “socialmente aceito” se tornem amplamente rechaçadas, gerando até mesmo prejuízos financeiros e profissionais ao autor da opinião. Por vezes, até mesmo intervenções do Judiciário ocorrem, em prol do combate às fake news, por exemplo. Então veja que, sim, ainda temos liberdade para discordar, mas a qual preço?
Com o passar do tempo, nossa sociedade tem perdido a capacidade de debater ideias, mas, como mostra a história, questionar e discordar são comportamentos que sempre existirão. E a solução para o futuro está em duas ações: estudar e ouvir. O estudo proverá argumentos, para que qualquer debate seja proveitoso e edificante para as duas partes. E a escuta é a demonstração clara de abertura ao debate. Obviamente que não se trata de uma solução de fácil aplicação, mas jamais deixemos de discordar, afinal “penso, logo discordo”.
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