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Juliano Campana

Artigo de Opinião

É especialista em Educação
Juliano Campana

Por que vão proibir o celular nas escolas?

É óbvio que tecnologia é uma ferramenta importante para a vida adulta, e na hora certa as crianças, já durante a adolescência, poderão dominar seu uso, assim como acontece com os carros
Juliano Campana
É especialista em Educação

Publicado em 25 de Dezembro de 2024 às 07:00

Publicado em 

25 dez 2024 às 07:00
Sei que isso até parece papo de gurus conservadores, mas não é. As telas oferecem um impacto profundo na parte neurológica, educacional e formação de caráter das crianças.
Indiferentemente do que seu filho faz no smartphone, a luz emitida pelas telas proporciona uma hiperestimulação do cérebro, causando uma superprodução da dopamina, hormônio da recompensa responsável sensação de prazer. O resultado é um forte vício, que chega a causar dependência, pois a dopamina é mais viciante do que a cocaína.
Segundo uma pesquisa realizada com 4.534 crianças nos Estados Unidos, após acompanhamento de exames de imagem, foi constatado que o uso de telas por mais de meia hora diários reduzia o tamanho e a densidade do córtex pré-frontal, área do cérebro na qual está nossa capacidade cognitiva, ou seja, nossa inteligência.
O uso de telas diminui também a capacidade de atenção e memorização. Imagino que já viu crianças totalmente hipnotizadas com um celular em um restaurante. Isso acontece porque a tela desliga seus sentidos e coloca a pessoa em outra realidade.
Como ficam “viciadas”, as crianças perdem a capacidade de fazer qualquer coisa que dependa de esforço, logo estão acostumadas a funcionar após doses de prazer com o uso da tela. A escola, então, passa a ser o espaço no qual não se tem prazer, além de exigir sustentação da atenção, esforço para armazenar informações na memória e, obviamente, razão prática para tomar decisões e aplicar conceitos.
"O caráter é alimentado pelos olhos e pelos ouvidos”. Com tanto consumo de imagens, deixamos de exercitar nossa capacidade de “criar imagens”, pois nos transformamos em plenos consumidores. À capacidade de criar imagens damos o nome de “imaginação”. Sem imaginação, não conseguimos construir um personagem ou uma outra opinião sobre um fato e, consideramos como realidade tudo o que aparece na tela.
A partir daí tudo fica mais complexo, já que nosso caráter é formado por nossas próprias experiências. Assim, tudo aquilo que é apresentado na tela de forma dinâmica e constante passa a ser um bem de alto valor que minha vontade buscará incessantemente. Serei uma pessoa com falhas de caráter, onde vale mais ficar em casa vendo TikTok do que passear com a família.
Pelo projeto de lei, haverá exceções para o uso do celular nas escolas
Pelo projeto de lei, haverá exceções para o uso do celular nas escolas Crédito: MCTI/Divulgação
Há pessoas que pensam que tudo isso é algo que devemos conviver, de outro modo teremos analfabetos digitais. É óbvio que tecnologia é uma ferramenta importante para a vida adulta, e na hora certa as crianças, já durante a adolescência, poderão dominar seu uso, assim como acontece com os carros. Afinal, não aprendemos a dirigir com seis anos de idade, mas precisamos desenvolver inúmeras competências e habilidades físicas e intelectuais para fazer o seu melhor uso.
Enfim, cuidem do futuro do seu filho sem tentar evitar o seu presente. E saiba que os grandes empresários do Vale do Silício estão cuidando bem, pois seus filhos não podem usar telas antes dos 14 anos de idade.
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