Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Artigos
  • Quando polícias são comparadas em realidades incomparáveis
Leandro Santa Clara de Menezes

Artigo de Opinião

É tenente coronel e comandante do 1º Batalhão
Leandro Santa Clara de Menezes

Quando polícias são comparadas em realidades incomparáveis

O que nos separa do Primeiro Mundo é a evolução de nossa sociedade, seus valores e princípios. Não se constrói uma casa pelo telhado, nem se faz uma sociedade pacífica a partir da atuação policial
Leandro Santa Clara de Menezes
É tenente coronel e comandante do 1º Batalhão

Publicado em 15 de Março de 2023 às 13:31

Publicado em 

15 mar 2023 às 13:31
Em 2009, representei o Espírito Santo, participando do Curso Internacional de Polícia Comunitária – Sistema Koban, no Japão. Ali, pude ver pessoalmente uma referência de relação polícia x comunidade, após anos de trabalho na PMES, coordenando policiais no atendimento à população.
Estranhamos ali práticas “analógicas” dos policiais japoneses que, ao invés de computadores, planilhas, telas interativas e recursos modernos, manejavam pranchetas, blocos de papel, carimbos e formulários preenchidos à mão.
Entre tantas experiências policiais nipônicas, destaco três. No museu da Toyota, vi um veículo experimental para “test drive". Podemos dirigir o carro? “Sim”, mediante apresentação da carteira de motorista japonesa. Não adianta falar que é policial, Brasil, etc... No Japão, regras são regras. Muitos policiais japoneses em início de carreira trabalhavam com revólver calibre 32, sem munição. Perguntei se eles não temiam tal situação. O chefe da polícia responde: “No nosso país ninguém atacaria um policial”.
No Japão não se revistavam bolsas sem a autorização. Mas se você for abordado, não pode deixar o local sem autorização do policial, ou será preso por desobediência. Regras são regras.
O que nos separa do Primeiro Mundo é a evolução de nossa sociedade, seus valores e princípios. Não se constrói uma casa pelo telhado, nem se faz uma sociedade pacífica, a partir da atuação policial. De um alicerce forte - a sociedade - saem políticos, juízes, promotores, servidores públicos, profissionais liberais, mídia, pais, mães, filhos e as próximas gerações. De paz ou conflitos.
Quando ouço falar mal de meus policiais, da minha polícia, comparando-nos com Japão, EUA, Suíça, Cuba ou Venezuela, me pergunto: onde querem chegar? Não dá para se comparar polícias diferentes em realidades incomparáveis. Por que não investimos na redução das reais causas das mazelas sociais, ao invés de oferecer placebo à população, em soluções milagrosas que só exigem das polícias?
Enquanto discutimos inovações, na prancheta do policial japonês, à sombra da cerejeira, a vida moderna segue tranquila.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados