
Gutman Uchôa de Mendonça*
A GAZETA publicou, na sua edição do último dia 22 uma extensa matéria, muito oportuna, em que explica por que empresários desistem de investir no Espírito Santo. “Burocracia, demora e complexidade dos licenciamentos e excesso de fiscalização têm feito o Estado perder projetos milionários que gerariam empregos”.
Não faz muito tempo, um amigo pernambucano me levou para conhecer o grande projeto de hotelaria (um resort) voltado para o turismo de alta qualidade, em Porto de Galinhas. Era um empreendimento inteligente e bonito à beira-mar.
Apresentado ao filho do dono do negócio, fiquei com curiosidade de saber sobre as dificuldades dos chamados órgãos ambientais para implantar projeto. Me espantei quando ele disse que não houve dificuldade, ao contrário, “recebemos a melhor colaboração possível dos órgãos ambientais”.
Quem se atreve a investir em certos Estados, como o Espírito Santo, se depara com o real tamanho da burocracia, tanto nas prefeituras quanto em órgãos do governo do Estado, sem que as autoridades se importem sobre a situação.
Quem estiver interessado, procure saber o que emperra o desenvolvimento econômico e social da nação. O Brasil possui, infelizmente, dezenas de obrigações fiscais, o maior massacre burocrático do mundo, cada qual com sua penca de carimbos. E demora. Para exportar qualquer produto, uma peça ou um milhão delas que seja, o empresário precisa ter paciência em receber todos os carimbos necessários.
Além desse problema, temos no Brasil centenas de empresas estatais, e poucas se salvam. Uma delas talvez seja a Petrobras.
O dia em que os veículos forem movidos por motores elétricos e o petróleo só for aproveitado para a indústria química, a classe política estará realmente perdida, porque vai perder a grana proveniente dos royalties, usadas atualmente até para contratar grupos sertanejos da pior qualidade artística, gastando tudo aquilo que receberam para ser usado no desenvolvimento.
O Brasil parece não ter jeito mesmo... O que é mesmo que estamos fazendo aqui?!
*O autor é jornalista