Na atualidade, as relações entre os indivíduos tornaram-se fragmentárias e imprecisas, nas quais o sujeito busca suas satisfações no consumo e nos prazeres cotidianos, até mesmo as relações amorosas se tornaram descartáveis, e os nossos anseios de felicidade passaram a se basear nas relações sociais fluidas do trabalho, do sentimento ou mesmo das concepções morais. Quando esses anseios não atingem os objetivos desejados, o resultado é a decepção, o desespero, e o medo.
De acordo com os dados da pesquisa realizada por estudiosos da Ufes, entre os anos de 1980 e 2006 ocorreram 2.604 óbitos por suicídio no Estado do Espírito Santo. Em 2019, tivemos 48 tentativas de suicídio, somente na Terceira Ponte.
O suicídio, contrariamente do que se imagina, não é apenas uma manifestação psicológica, mas também é uma manifestação social, essa última afirmação nos remete ao sociólogo Emílio Durkheim, que no século XIX já estudava aquela ação como um fenômeno social.
Para Durkheim, o suicídio é toda morte que resulta mediata ou imediatamente de um ato positivo ou negativo, realizado pela própria vítima. Na pesquisa, o sociólogo estabelece algumas formas de suicídio. Primeiro, o suicídio egoísta, no qual o indivíduo perde a coesão com o grupo social, e consequentemente propiciando ao ato do suicídio.
A segunda forma de suicídio é o altruísta, neste caso, o indivíduo não é importante, mas somente o grupo social o é. Em outras palavras, o indivíduo está imerso no grupo no qual vive, portanto, ele cede aos desejos do grupo. A terceira forma é o suicídio anômico, no qual o indivíduo imerso numa crise econômica ou social pode decidir-se pelo suicídio.
Para Durkheim, os elementos sociais faziam parte dos casos de suicídio na Europa, e esses casos afetavam principalmente os mais idosos. Porém, os dados demonstrados pelos pesquisadores da Ufes apontam que nas últimas décadas as taxas de suicídio que mais cresceram correspondem ao grupo dos jovens de 15 a 24 anos, esse fato infelizmente é uma tendência é mundial. É certo que esse fenômeno social é resultado de mudanças no mundo contemporâneo, porque vivemos num mundo de inseguranças e decepções.
Precisamos repensar possíveis soluções para que nossa sociedade possa combater o desafio do suicídio, e levemos em consideração, que seja por fatores sociais ou psicológicos, a vida humana deve torna-se uma prioridade.
*O autor é doutorando em História e cientista social pela Ufes