
Victor Meyer Jr e Lucilaine Pascuci*
A catástrofe de Brumadinho acontece apenas três anos após o desastre de Fundão, em Mariana, ambos em Minas Gerais. Fomos tomados pelos sentimentos de tristeza e pesar. Ambas catástrofes revelam falhas, erros e descaso num sistema que é complexo, por natureza. Ignorar essa característica resultou nas consequências desastrosas que nos impactam, tanto nas dimensões humana e ambiental, quanto na econômica.
Várias são as preocupações que vêm à mente. Uma das principais é o que aprender com essas tragédias e como se preparar para evitá-las. Assim como a aviação civil, indústrias químicas e usinas atômicas, as barragens são sistemas que apresentam alto grau de complexidade, de fatores técnicos (construção e funcionamento) e naturais (chuvas, abalos sísmicos), passando pelos humanos (supervisão, administração e fiscalização), econômicos (mercado do minério de ferro) e políticos (legislação influenciada por interesses diversos). Eles estão inter-relacionados.
A natureza desses sistemas desafia as tradicionais formas de administração, pela complexidade aliada a fenômenos imprevisíveis e surpresas. Assim, as barragens estão sujeitas a dois tipos de fatores: os previsíveis e os imprevisíveis, dos quais desencadeiam problemas, acidentes e desastres.
Fatores previsíveis - como erros humanos ou técnicos – demandam da administração da empresa responsável o desenvolvimento de mecanismos de gestão com atenção permanente às operações. No caso das barragens, a fiscalização externa a cargo de agentes públicos e consultores especializados, sem vínculo com a empresa, tornam-se elementos essenciais para maior segurança e confiabilidade do sistema.
Uma legislação preocupada mais com o fator humano e ambiental, e menos com interesses econômicos e políticos também é condição primordial para a promoção de mudanças. Nós, como sociedade, devemos ter participação ativa neste processo.
Aos fatores imprevisíveis, há de se desenvolver dispositivos de segurança que possam ser acionados em situações inesperadas. Afinal, acidentes enviam sinais que, muitas vezes, não são observados, ou são negligenciados.
Lições devem ser extraídas dos desastres. Aprender com erros é uma forma de os envolvidos - empresa, governos, órgãos ambientais e a sociedade - buscarem melhorias. Do contrário, mais acidentes e desastres voltarão a acontecer.
*Os autores são, respectivamente, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Administração da PUC-PR), doutor pela Universidade de Houston e pós-doutorado pela Universidade de Michigan; professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Administração da Ufes, doutora em Administração pela PUC-PR e pós-doutorado pela Columbia University