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Artigo de Opinião

Gabriel Tebaldi

Tragédias marcadas por injustiça e omissão rasgam o sentimento popular

A maior das tragédias, pois, é aquela que se abaterá sobre todos nós: o esquecimento

Publicado em 29 de Março de 2019 às 19:37

Publicado em 

29 mar 2019 às 19:37
Crédito: Lucas Hallel/Ascom Funai
Gabriel Tebaldi*
Escreveu Simone Weil: “Todas as tragédias que se podem imaginar reduzem-se a uma mesma e única tragédia: o transcorrer do tempo”. O tempo, senhor da História, tudo transforma. A pequenez humana revela-se no irrefreável passar dos dias.
Em nossos tempos trágicos, até os quatro elementos da Natureza tornaram-se a face do caos. A terra, de onde brota a vida, soterrou Brumadinho. A água, que mantém a existência, inundou São Paulo. O fogo, fundamento da evolução, ceifou o futuro dos jovens do Flamengo. E no ar teve fim o brilhante Boechat.
Em Suzano, os sonhos deram lugar ao silêncio. A falta de propósito e a banalização da vida revelaram uma geração incapaz de superar frustrações, vazia, mas cheia de si. Já não é preciso ler, argumentar, sustentar ideias. Basta dizer o que pensa, fazer o que quer e deixar os “especialistas” explicarem o inexplicável.
Tragédias marcadas por injustiça, omissão e vidas inocentes rasgam o sentimento popular. Somos visitados pela morte e repensamos um pouco sobre nós mesmos. Como protagonistas sociais, somos levados pela dor coletiva, conforme explicou Durkheim: “Se todos os corações vibram em uníssono, não é por causa de uma concordância preestabelecida; é que uma mesma força os move no mesmo sentido. Cada um é arrastado por todos”.
Entretanto, a resiliência de um povo que fez da reinvenção seu estilo de vida força-nos a seguir em frente. Ainda que com cicatrizes ou feridas abertas, caminhamos. E assim o tempo passa. Os anos correm. E tudo se reduz a memórias.
Logo novas gerações emergirão e tudo o que nos fez parar em 2019 será apenas um relato de números e nomes. Nossa dor será apenas acervo do esquecimento. O sofrimento coletivo tornar-se-á propriedade das famílias desfeitas, vítimas da ausência. Para elas, todas as nossas orações ainda são ínfimas.
A maior das tragédias, pois, é aquela que se abaterá sobre todos nós: o esquecimento. Cabe-nos, como ensinou Disraeli, não permitir que essa curta vida seja pequena.
* O autor é graduado em História e Filosofia e pós-graduado em Sociologia
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