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Artigo de Opinião

Educação

Ufes precisa ser imune a cortes e ter liberdade de expressão

Quem protege a universidade é a própria sociedade a quem ela serve, mas que ainda não conhece em sua plenitude

Publicado em 07 de Maio de 2019 às 18:17

Publicado em 

07 mai 2019 às 18:17
Fachada da Universidade Federal do Espírito Santo
Glaucia Abreu*
Em meio à comemoração dos 65 anos da Ufes, notícias de cortes no orçamento e o episódio do incêndio, ao que parece por uma pane na rede elétrica, cabe uma parada para reflexão.
Sabemos que a razão é a ferramenta básica na universidade para a formação de todos os profissionais que servirão a população nas mais diversas (e igualmente importantes) áreas do saber. No entanto, vivemos um momento onde os sentimentos se sobressaem à nossa razão de existir e nos remetem a emoções profundas. Quantos de nós passamos pela única universidade pública de nosso Estado ou tivemos por lá parentes ou amigos, ou esperamos por lá passar?
Aqui falo de amor e o sentimento de pertencimento. Ainda criança, não entendia porque acordava nas madrugadas ouvindo minha mãe estudar com outras mulheres, em voz alta, para o tão temido vestibular. Passando pelos segmentos estudante, docente e gestora, entendi a importância desta instituição na formação de cidadãos e cidadãs livres e pensantes, inclusive para nossa autocrítica.
Como que, para ordenar um pouco a reflexão do confuso momento, revisitei alguns dos livros do filósofo francês Jacques Derrida que dedicou algumas de suas obras a analisar as universidades.
Diz Derrida: “A universidade esta aí para dizer o verdadeiro, para julgar, para criticar no sentido mais rigoroso do termo, a saber, para discernir e decidir entre o verdadeiro e o falso; e, se ela também esta habilitada para decidir entre o justo e o injusto, o moral e o imoral é por que a razão e a liberdade de juízo estão implicadas”.
Nós, universidade, não nascemos livres, nos tornamos livres e capazes de pensar e agir e assim contribuir para o crescimento social de nosso pais. Então, qual a razão para os cortes que se exacerba? O que nos falta? De onde virá a proteção da universidade?
Autoimunizados, nos voltamos durante muito tempo exclusivamente para a missão de formar com qualidade, despercebidos da qualidade e eficiência na gestão. Cabe ao gestor garantir o pleno e qualificado funcionamento da universidade, deixando livre, em segurança e de forma inclusiva, a comunidade acadêmica para “fazer acontecer” com liberdade de expressão.
Devemos buscar a proteção sem desenvolver o processos perigosos de autoimunidade. Assim, quem protege a universidade é a própria sociedade a quem ela serve, mas que ainda não conhece em sua plenitude, todos as ações e parcerias dela com o povo brasileiro.
Os cortes são graves e dilacerantes. Precisamos alertar sobre os risco que eles representam para a sobrevivência desta instituição milenar. Estão fadadas ao fracasso quaisquer ações voltadas para a desorganização desta instituição se defendemos que sua base está no respeito às diferenças e na busca do novo e eficiente para servir aqueles para os quais existimos: a sociedade brasileira.
Continua Derrida: “...devemos reivindicar com todas as nossas forças essa liberdade ou imunidade imputada pela sociedade...”. E conclui: “Vão com calma, mas apressem-se, pois não sabem o que os aguarda.” Sociedade capixaba, vamos defender a Ufes. Viva a Ufes!
*A autora é diretora do Centro de Ciências da Saúde da Ufes
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