Rusley Hilário Medeiros Miorim*
As notícias de que facções criminosas estariam tomando força e ganhando espaço no Espírito Santo não são de hoje. Aliás, após as ações policias no Estado do Rio de Janeiro, ficou quase que evidente que os algozes que lá gorjeiam, aqui no Espírito Santo em breve também cantariam.
Obviamente, ninguém quer ouvir a melodia que esses criminosos entoam, contudo, nesses últimos dias, a Grande Vitória acordou ao som de vários tiros e bombas. No Morro da Boa Vista, em Vila Velha, nos morros de Vitória e, agora, fotos com bandidos armados com fuzis enchem os noticiários. O que demonstra que o Rio está mais próximo do que nunca.
Temos grandes belezas naturais, tão lindas quanto as do Estado limítrofe, mas ainda não tínhamos a experiência de conviver com facções criminosas e ataques, quase que rotineiros, em nosso Estado. É urgente que tenhamos a coragem, garra e determinação em lidar com os frutos podres que irão cair desta árvore chamada crime organizado. O combate com eficiência por parte dos órgãos de Segurança Pública, o investimento em pessoal e recursos são fundamentais. É preciso muito mais que simples investimentos.
Injeção que sempre dói um pouco é o caminho. Injeção de ânimo, civismo e vontade de arregaçar as mangas e ir para o enfrentamento. Não se trata de uma guerra, mas de coragem. Não posso chamar bandidos armados e com uniformes camuflados de soldados do crime. Soldado tem que se remeter a pessoas do bem, corajosas e que lutam para garantir a paz e a justiça. Por isso, se torna indispensável o investimento na pessoa do soldado do bem, na figura dos agentes de segurança pública.
A Constituição da República é clara no artigo 144. “A Segurança Pública é responsabilidade de todos”. Um cidadão armado tem suas consequências. A população precisa entender urgentemente que a melhor forma de garantir a segurança pública é estar ao lado daqueles que lutam por nós contra os que alguns chamam de soldados do crime.
Enquanto acharmos que Segurança Pública é dever de apenas uma pessoa ou grupo estaremos fadados a ver o Espírito Santo se tornar um local propício para o crime organizado, para os ataques nos morros e na segregação social violenta. Agora é hora de união, sem a qual viveremos tempos difíceis de dor e violência!
*O autor é bacharel em Direito, especialista em Ciências Criminais pela FDV, professor universitário e coordenador de Ensino da Guarda Municipal de Vila Velha