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Eleições 2020

Ausência de Helder fortalece candidato do PSB a prefeito de Cariacica

Boa parte do partido de Casagrande queria apoiar o deputado na cidade. Com Helder fora do páreo, PSB vai apostar tudo em candidatura própria, com o professor Saulo Andreon, que assim ganha novo impulso

Publicado em 04 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

04 fev 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Não candidatura de Helder Salomão favorece Saulo Andreon Crédito: Amarildo
A decisão do deputado federal Helder Salomão (PT) de não ser candidato a prefeito de Cariacica fortalece imensamente o projeto do PSB, partido do governador Renato Casagrande, de lançar um candidato próprio no município hoje governado por Juninho (Cidadania). E esse candidato tem nome e sobrenome: Saulo Andreon. Ou, como o PSB preferirá apresentá-lo ao eleitorado: Professor Saulo.
Com Helder potencialmente no páreo, o cenário eleitoral em Cariacica era outro para todos os agentes e forças políticas, inclusive para o PSB. Apesar de o partido já vir trabalhando no lançamento de Saulo desde agosto do ano passado, boa parte de seus dirigentes, na verdade, gostaria de firmar uma aliança com o PT em Cariacica em torno de Helder, se (e apenas se) o deputado fosse novamente candidato a prefeito.
Na verdade, não é exagero afirmar que o apoio do PSB a Helder era até a opção mais provável para o partido de Casagrande, não só devido à densidade eleitoral do ex-prefeito – até hoje reconhecido e lembrado por seus dois governos bem avaliados na cidade entre 2005 e 2012 – como também pela proximidade histórica entre os dois partidos, pertencentes ao campo de centro-esquerda, tanto no plano estadual como no nacional. Desse ponto de vista, a adesão do PSB à eventual candidatura de Helder poderia ser considerada até natural. Isso, é claro, se Helder fosse candidato.
Como dirigente prudente morreu de velho, o PSB achou por bem se calçar, e assim começou a trabalhar na viabilização de uma alternativa própria a Helder. O primeiro nome aventado, em meados do ano passado, foi o da vice-governadora Jaqueline Moraes. Mas esse plano logo foi abortado e hoje é inteiramente descartado pelos caciques socialistas: como vice-governadora, Jaqueline tem um papel a cumprir, e ali ficará sentadinha até o fim do mandato, para não permitir nenhum risco de o presidente da Assembleia Legislativa assumir o governo na ausência ou impedimento de Casagrande.
“Ei, esperem um pouco… Mas e o Saulo Andreon?”, lembrou-se algum dirigente socialista na metade de 2019. Esquecido nas fileiras do partido e inativo politicamente há anos, o ex-vereador de Cariacica pelo PT, filiado ao PSB desde 2009, foi então resgatado do ostracismo. Da noite para o dia, o professor de Inglês, hoje assessor especial da Sedu, tornou-se a nova e imprevista aposta do partido do governador para a sucessão de Juninho. De novo: para ser “usado” em caso de necessidade – leia-se: só no caso de Helder não entrar no páreo.
Claramente, então, a pré-candidatura de Saulo nasce como um estepe, uma precaução por parte do PSB exatamente para este momento a que chegamos agora: Helder anuncia que não será candidato, e o que nasceu como um “plano B” adquire, de repente, dimensões de projeto prioritário e oportunidade única para o partido do governador tentar chegar, pela primeira vez na história, ao comando político-administrativo de Cariacica, trilhando pela avenida escancarada com a decisão de Helder de não concorrer.
Um veterano dirigente do PSB confirma tudo isso: “O Helder é um centro de gravidade, pelo tamanho político dele, pela militância dele no nosso campo e pela relação dele com figuras do PSB, inclusive o Renato [Casagrande]. Fosse ele candidato, o PT poderia ter o nosso apoio, sim. Muita gente no partido queria isso. Mas, com Helder fora e o PT lançando outro candidato, a conversa é completamente outra. Com a saída do Helder, o cenário está mais favorável para construirmos algo em torno do Saulo. A saída do Helder é a chance de o Saulo ganhar visibilidade. A partir da decisão do Helder, esse candidato que vai representar o núcleo governista ganha importância e competitividade”.
O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, ratifica: “Em Cariacica, já lançamos o nosso candidato próprio a prefeito. É o Saulo Andreon. Estamos trabalhando na nossa chapa de vereadores na cidade, para fortalecer a candidatura dele”.
"É claro que o Helder seria uma opção que mais à frente a gente poderia conversar. Mas a saída de Helder realmente abre mais o horizonte em Cariacica. Evidentemente estamos abertos a fazer novas conversas, mas hoje o nosso candidato é o Saulo Andreon."
Alberto Gavini - presidente estadual do PSB
A ideia dos dirigentes socialistas é lançar Saulo com o selo de candidato do governo Casagrande, construindo em torno dele uma aliança não só ideológica com partidos de centro-esquerda, mas sobretudo uma “aliança governista” com partidos que estão na gestão de Casagrande.
Agora, é o PSB que vai procurar o PT em busca de apoio a Saulo em Cariacica.
O próprio Saulo avalia: "É inegável que o deputado Helder é uma liderança consolidada em Cariacica. Ele tem uma parcela da sociedade que é fiel a ele do ponto de vista da confiança e da liderança dele. É claro que, no nosso entendimento, essa não entrada dele abre o processo eleitoral. Acredito que abre possibilidades. Acho que a saída dele será capitalizada por quem tiver as melhores propostas".
"Vamos nos apresentar a esse eleitorado fiel ao Helder e identificado com ele e vamos nos preparar para ser a segunda alternativa deles. Não vai ser um apoio automático. Vai depender mais do candidato do que do cenário."
Saulo Andreon (PSB) - Pré-candidato a prefeito de Cariacica

HELDER: "NÃO FECHAMOS PORTAS"

Com o não ingresso de Helder no processo eleitoral, o PT de Cariacica se vê diante do desafio de encontrar um candidato que preencha a lacuna deixada por ele. O próprio Helder indica e apoia a professora Célia Tavares, mas outros nomes já surgiram. Em conversa com a coluna, o deputado defende que a prioridade do PT deve ser ter candidato próprio em Cariacica, mas que o partido deve se manter aberto para dialogar com todas as outras forças situadas no “campo progressista” – o PSB incluído.
Na prática, isso significa estar aberto até à possibilidade de apoiar um candidato a prefeito de outro partido que pertença a esse campo, ou que componha o que ele chama de “movimento de resistência ao governo federal” – de novo: o PSB incluído.
“O PT quer ter candidato próprio em Cariacica, mas não fecha a porta para outras possibilidades. Quem vai decidir isso não sou eu, é o partido. Possibilidade existe. Agora, isso vai depender das instâncias decisórias. É claro que vamos discutir com o PSB. É um partido que historicamente tem relação com o PT. Nacionalmente, está alinhado conosco. O PSB já apresentou um nome, que é o Professor Saulo. Queremos dialogar em condições de igualdade e queremos convergência já no primeiro turno em torno de um candidato único.”
"O esforço deve ser por uma aliança desse campo já no primeiro turno. É um processo de convencimento. Da mesma maneira que temos que convencê-los, eles têm que nos convencer."
Helder Salomão (PT) - Deputado federal
Vereador de Cariacica, o presidente municipal do PT, André Lopes, também admite que o PT deve estar preparado para apoiar o candidato de algum partido aliado, embora ressalte que o sentimento da base hoje é o de lançar um nome próprio.
“É claro que, se a gente diz que vai ter candidatura própria, a gente também tem que estar pronto para compor e para apoiar candidatos de outros partidos. Essa é a premissa básica. Senão a gente nem vai conversar com outros partidos. Mas o sentimento que percebo da militância é que devemos ter candidatura própria, até porque tem um projeto político em curso no país.”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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