Em 2014, os rolezinhos surgiram dividindo opiniões. Naquele ano, em 25 de janeiro, 6 mil jovens responderam a um convite feito no Facebook e se reuniram no estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, em São Paulo, para ouvir e dançar funk. Quando os seguranças do shopping tentaram dispersar a aglomeração, a multidão invadiu o shopping.
Diante do tumulto, lojas e restaurantes fecharam as portas. Para dispersar os jovens que foram para fora do shopping, ao lado do terminal de ônibus, a polícia, chamada a intervir, usou balas de borracha e bombas de efeito moral.
A moda dos rolezinhos logo se espalhou pelo país, causando novos tumultos e polêmicas por onde passava. “Falta espaço de lazer para esta molecada”, “é uma legítima manifestação cultural”, diziam uns. “Se quisessem quebras as lojas, conseguiriam; é muita gente para conseguir controlar”, desabafou um lojista.
Não demorou para que essas manifestações, defendidas por alguns como “espontâneas” e condenadas por outros como “iniciativa de traficantes”, se transformassem nos bailes clandestinos que tanto atormentam os moradores e comerciantes, quanto preocupam as autoridades.
Só para mencionar reclamações que ganharam maior repercussão na imprensa em Vitória, houve queixas de moradores da Avenida Vitória, Bento Ferreira e Praia do Canto da altura do som dos bailes ocorridos na noite e madrugada de fins de semana de março, junho e outubro do ano passado.
Em 1º de dezembro, nove jovens, entre 14 e 23 anos, morreram pisoteados em um desses bailes em Paraisópolis, São Paulo. A Polícia Militar foi acusada de ter invadido o baile e provocado o tumulto. Os policiais informam que perseguiam dois criminosos que haviam atirado contra eles. O caso ganhou repercussão nacional e a polícia criticada por invadir a aglomeração.
No último final de semana, na Praia do Canto, um tumulto ocorrido em um evento clandestino, intitulado “Aquecimento para o Carnaval 2020”, terminou em pancadaria. Se em São Paulo a polícia foi criticada por invadir a aglomeração, em Vitória a crítica foi a de ela não ter agido, a mesma crítica feita nas reclamações anteriores do som alto que perturba os moradores.
Está, então, posta a “Escolha de Sofia” que a polícia precisa fazer diante dos bailes clandestinos, a nova versão dos rolezinhos do passado: intervir ou não quando eles acontecem. Agora mais sofisticados – o som é portátil e a convocação é feita pelo WhatsApp que não permite a identificação dos autores – os bailes clandestinos continuam atormentando a população.
A atitude da polícia capixaba, ao que tudo indica, tem sido pautada pela sensatez. Quando identifica a organização de algum baile clandestino, age para impedi-lo antes que aconteça. Se o evento ocorrer, evita ao máximo intervir para não gerar confronto. E, o que é essencial, anuncia que vai intensificar a prevenção para que a população não continue exposta aos transtornos causados por esses eventos danosos à sociedade.