O relatório final da CPI da Covid, lido nesta quarta-feira (20) no Senado, tem um capítulo à parte só para falar de disseminação de informações falsas sobre a pandemia do novo coronavírus. O documento traz o presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos, Carlos, Eduardo e Flávio como comandantes da rede formada para propagação de fakes news sobre uso de máscaras, vacinas e outros procedimentos para combater a disseminação da doença.
O documento diz que foram observadas verdadeiras campanhas nas redes sociais para tirar a credibilidade de estudos científicos e de especialistas. Segundo o texto, tais ações tiveram como consequências diretas o agravamento da crise sanitária no Brasil, com elevado índice de leitos hospitalares, além do aumento substancial de infecções e mortes.
Segundo o parecer, houve omissão do governo federal e de seus meios oficiais de comunicação para combater boatos e desinformação.
"Convém explicar com mais profundidade o papel das fake news na pandemia. Elas não são apenas informações sem fundamentação que ocorrem de forma esporádica ou isolada. Ao contrário, elas compõem um arranjo complexo e sistemático que tem o objetivo de gerar engajamento em sua audiência para extrair proveito econômico ou político, utilizando, para isso, a produção de conteúdo textual ou audiovisual com caráter supostamente noticioso, divulgado tanto por meio das mídias tradicionais (jornais, revistas, televisão ou rádio), quanto pelas redes sociais na internet"
O documento ainda que constatou uma organização formada por, ao menos, cinco núcleos articulados entre si, a saber: o núcleo de comando (1), que interage diretamente com o núcleo formulador (2), núcleo político (3), núcleo de produção e disseminação das fake news (4), e núcleo de financiamento.
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Relatório final da CPI da Covid que propõe indiciamento de Bolsonaro
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"O primeiro, mais importante, é o núcleo de comando, a cabeça da
organização. Ele é formado pelo presidente da República e seus filhos que
ocupam cargos políticos, a saber: o senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro.
Esse núcleo tem a função de dirigir a organização e orientar estrategicamente as
ações realizadas nos níveis inferiores da hierarquia, dando-lhes diretrizes e
informando-lhes prioridades de ação"
Outra informação que o parecer traz é que o núcleo formulador atuava especialmente dentro do Palácio do Planalto. Esse núcleo ficou popularmente conhecido como Gabinete do Ódio, por ser apontado em investigações como formulador de conteúdos e distribuição aos disseminadores.
Segundo o relator, a configuração desse gabinete demonstrada nesse relatório leva em consideração os depoimentos de alguns dos seus integrantes à Polícia Federal, assim como as declarações de políticos e assessores em oitivas realizadas no âmbito de investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento traz ainda que assessores ligados ao gabinete de Flávio Bolsonaro operavam perfis falsos para disseminar notícias enganosas e também ameaças. Ao menos seis perfis derrubados pelo Facebook, segundo o documento, eram mantidos pelo assessor Fernando Nascimento Pessoa, que atua como funcionário do senador.