Lideranças de oposição a João Doria (PSDB-SP) em São Paulo, de seu partido e de outras legendas, já consideram que o tucano será candidato ao governo de São Paulo caso permaneça no cargo, como ameaça fazer. Até mesmo integrantes da equipe mais próxima dele têm a mesma certeza.
Como revelou o jornal Folha de S.Paulo, Doria avisou seu vice, Rodrigo Garcia, que pretende ficar no cargo que deixaria nesta quinta (31) para disputar a Presidência. A surpreendente reviravolta abriu uma crise no PSDB, partido ao qual ambos são filiados. Na conversa, o governador garantiu que não concorrerá à reeleição, apoiando a candidatura de Garcia, conforme acordo firmado por eles há três anos. Ninguém acreditou.
Integrantes da equipe do próprio Doria, perplexos com a atitude que ele ameaça tomar, têm a mais absoluta certeza de que o governador passará os próximos três meses negando a candidatura, para no final se lançar na disputa. Segundo eles, Doria usará o argumento de que tem melhor pontuação que Rodrigo Garcia nas pesquisas eleitorais. Seu governo tem avaliação positiva de 17%, segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest.
Segundo a mesma sondagem, 28% dos paulistanos diziam que ele merece uma segunda chance como governador caso desista de concorrer à Presidência para permanecer no estado. Já Garcia oscila entre 3% e 5% das intenções de votos.
Apesar de rumores de que poderia desistir da candidatura a presidente, a atitude de Doria, de fazer o comunicado a Garcia um dia antes da data marcada para a sua renúncia, deixou seus até agora aliados perplexos e indignados. Um deles diz que a atitude apenas reforça a pecha de traidor que ele carrega desde que começou a atacar Geraldo Alckmin, que foi seu padrinho na política.
A decisão final de Doria será anunciada na tarde desta quinta (31). Aliados acreditam que, apesar do aviso a Garcia, ele ainda pode mudar de ideia e sair do governo.